Campanha e projeto de lei propõem política nacional permanente de saúde mental climática para eventos como enchentes, queimadas e deslizamentos
Uma pesquisa do IBGE sobre as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 mostrou que 67,5% dos moradores das áreas pesquisadas relataram ter a saúde mental abalada pelo desastre, o impacto pessoal mais citado entre as famílias atingidas. É o dado que sustenta a campanha Saúde Mental Climática, articulada pela Time To Act, que pressiona por uma política pública permanente de atenção psicossocial diante de eventos climáticos extremos.
Mariane Friedrich, de 36 anos, moradora do bairro Sarandi em Porto Alegre, um dos mais afetados pela enchente, relata que ficou fora de casa por quase 60 dias e, ao retornar, precisou lidar com a perda de pertences e depois com a informação de que teria que abandonar a moradia. Ela já fazia tratamento para ansiedade e depressão antes da tragédia e diz que as crises se intensificaram, enquanto o posto de saúde onde era atendida também foi afetado pela enchente. Um ano depois, segundo ela, o posto próximo à nova moradia está sem médico e o tratamento ficou interrompido.
A psicóloga Sheila Cardoso, que acompanhou pessoas afetadas pelo desastre, abrigos coletivos e voluntários envolvidos na reconstrução, explica que sintomas como medo de novas chuvas, insônia, ansiedade e sensação de impotência podem se manifestar como sintomas pós-traumáticos que perduram no longo prazo. Segundo a especialista, os relatos frequentemente descrevem a enchente como um divisor de águas:
Fonte: ((o))eco
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ((o))eco e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

