Sem ponte, energia ou internet, moradores do quilombo Estreitinho cruzam o Rio Pardo em estrutura de cordas e madeira durante as cheias
No quilombo Estreitinho, em Adrianópolis, no Vale do Ribeira paranaense, famílias quilombolas estão utilizando uma tirolesa improvisada com cordas e uma estrutura de madeira para atravessar o Rio Pardo e sair da comunidade. A medida surgiu depois que as enchentes do Rio Ribeira do Iguape e seus afluentes fizeram a comunidade perder o bote emprestado que usava para a travessia até então.
Antes mesmo das tempestades que atingiram a divisa entre Paraná e São Paulo, os moradores do Estreitinho já cobravam do poder público a construção de uma ponte que ligasse o território à região terrestre de Adrianópolis. Com as cheias, a situação se agravou: as famílias ficaram sem energia elétrica e sem internet, recursos essenciais para comunicar riscos em uma área isolada. A tirolesa, apesar de garantir alguma mobilidade, expõe os moradores ao risco pela instabilidade das cordas e da estrutura de madeira usada para carregar as pessoas.
Vanessa Cordeiro, moradora do quilombo, relata que a represa acima do território continua liberando água e que as chuvas impedem o nível do rio de baixar. “Precisamos de uma passarela urgente”, afirma. Segundo ela, kits de alimentos foram distribuídos pela Defesa Civil, mas são insuficientes diante da emergência enfrentada pela comunidade. “A gente precisa que o governo do Paraná se manifeste”, diz Cordeiro, cobrando resposta mais efetiva do estado.
Em nota, a Defesa Civil do Paraná afirma que vem atendendo as famílias desde o início das ocorrências, com equipes mobilizadas para atendimento local e acompanhamento estadual. O órgão relata que, na quarta-feira (16), levou mantimentos e cestas básicas às comunidades por meio de aeronaves, e que seguirá em contato com os moradores até o restabelecimento de água, energia e mobilidade na região. No último final de semana, um barco foi cedido para a travessia dos moradores, mas a comunidade segue sem meio oficial e seguro de deslocamento.
Cordeiro avalia que os esforços do Estado ainda são insuficientes para a reestruturação do quilombo. Pelas redes sociais da comunidade, está sendo feita uma arrecadação para a compra de um barco próprio. O Estreitinho enfrenta ainda um conflito com o proprietário de uma fazenda da região, já que é preciso caminhar cerca de três quilômetros por essa propriedade para acessar tanto a tirolesa quanto o ponto de embarque fluvial que leva ao barco.
Fonte: Brasil de Fato
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

