Extrema direita soma ao menos sete dos nove governos da Amazônia Legal, com disputas de segundo turno definindo o restante do mapa político da região
O bolsonarismo ampliou sua presença no comando dos estados da Amazônia Legal nas eleições de 4 de outubro, segundo reportagem da SUMAÚMA. Cinco governos da região já estavam alinhados à extrema direita liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — Acre, Rondônia, Roraima, Mato Grosso e Tocantins —, e os resultados das urnas mantiveram essas posições e acrescentaram o comando de mais duas unidades da federação: Pará e Amapá, antes governados por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No Pará, Daniel Santos, do Podemos, derrotou a candidata apoiada pelo governador Helder Barbalho após campanha contra a fiscalização ambiental; segundo a reportagem, Santos já foi autuado por desmatamento e prometeu anistiar multas ambientais e combater a demarcação de Terras Indígenas. No Amapá, Antônio Furlan, do PSD, venceu o governador Clécio Luís mesmo com candidatura sob contestação no Tribunal Superior Eleitoral por suposto desvio de emendas parlamentares, caso ainda sem conclusão após pedido de vista do ministro André Mendonça.
Em Tocantins e no Acre haverá segundo turno entre dois candidatos bolsonaristas em cada estado. No Amazonas, a única chance de o PT eleger um aliado depende do senador Omar Aziz, do PSD, que votou a favor do chamado PL da Devastação, segundo a reportagem. Em Roraima e Rondônia, o PL elegeu governadores em primeiro turno, com Arthur Henrique e Marcos Rogério, respectivamente.
A reportagem associa o avanço da extrema direita a três fatores apontados por pesquisas do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal: o antipetismo herdado da Operação Lava Jato, o peso do voto evangélico — maior na região Norte do que na média nacional — e a influência política de dirigentes do agronegócio. Segundo a SUMAÚMA, mesmo com isenções fiscais e crédito rural concedidos por governos petistas, o setor ruralista se opôs às políticas ambientais de Lula, que reconstruiu órgãos de fiscalização esvaziados sob Bolsonaro e retomou demarcações de Terras Indígenas.
O programa de governo de Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, nem sequer reconhece a mudança climática causada pela ação humana, segundo análise do Observatório do Clima citada na reportagem. Flávio Bolsonaro também é coautor de projeto que buscava acabar com a reserva legal e assinou propostas que instituem o marco temporal para demarcação de territórios indígenas e transferem ao Congresso a decisão final sobre demarcações e unidades de conservação — medidas que, segundo a SUMAÚMA, devem orientar os governos estaduais da Amazônia a partir de 2027.
Fonte: SUMAÚMA
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de SUMAÚMA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

