Governo estadual e a Terra Forte Ltda. figuram entre 82 novos nomes após resgate de trabalhadores em obra na Terra Indígena Rio Guaporé
O Estado de Rondônia e a empresa Terra Forte Ltda., que mantém contratos milionários com o governo estadual, entraram para a Lista Suja do trabalho escravo, atualizada nesta terça-feira (6) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Os dois nomes estão entre os 82 novos incluídos na relação, que agora soma 508 empregadores.
A Lista Suja torna públicos os dados de pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas por trabalho escravo após exercerem o direito de defesa em duas instâncias administrativas. Criada em 2003 e atualizada semestralmente pelo governo federal, é considerada pela ONU um dos instrumentos mais relevantes de combate ao trabalho escravo no mundo. Quem entra na lista permanece por dois anos, salvo se assinar acordo de regularização com o MTE.
A inclusão do Estado de Rondônia decorre de uma obra em que dois trabalhadores venezuelanos foram resgatados em condições análogas à escravidão, em setembro de 2025, durante a reforma da Escola Estadual Indígena de Ensino Fundamental 5 de Julho, na Terra Indígena Rio Guaporé, em Guajará-Mirim (RO). O caso chama atenção porque a gestão do governador Marcos Rocha (União Brasil) desarticulou a comissão de combate à escravidão no estado.
A obra integrava um contrato de R$ 21 milhões firmado pela Secretaria de Estado da Educação com a Terra Forte, dos quais R$ 504 mil seriam destinados à escola, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT). Uma força-tarefa formada por auditores-fiscais do MTE, procuradores do MPT e do Ministério Público Federal e agentes da Polícia Federal encontrou cinco trabalhadores no canteiro: três indígenas da comunidade, contratados de forma precária e sem equipamentos de proteção, e dois venezuelanos que atuavam como serralheiros. Segundo a procuradora do Trabalho Camilla Holanda Mendes da Rocha, as condições dos imigrantes configuravam trabalho análogo à escravidão.
De acordo com a fiscalização, os dois venezuelanos estavam alojados precariamente, com salários atrasados e sem alimentação garantida, sem banheiro adequado e dormindo em colchões sobre mesas escolares. O difícil acesso à aldeia também ajudava a impedir que deixassem o local nos dias de descanso. Os agentes só chegaram ao canteiro de helicóptero, depois de denúncia feita por alunos e professores da Universidade Federal de Rondônia. Entre os demais setores com novos nomes na lista estão agricultura, extração de madeira e carvão, pecuária bovina, construção, serviços domésticos e mineração.
Fonte: Repórter Brasil
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Repórter Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

