Plan International ouviu mais de 5 mil meninas em cinco países e aponta que eventos climáticos extremos ampliam violência e barreiras à saúde reprodutiva
Um relatório da Plan International, divulgado neste mês, aponta que a intensificação de eventos climáticos extremos — inundações, secas e ondas de calor — está ampliando o casamento infantil, a gravidez indesejada e a violência contra meninas e mulheres jovens em diversas partes do mundo. O levantamento baseia-se em relatos de mais de 5 mil meninas e mulheres jovens de 15 a 24 anos em Bangladesh, Quênia, Peru, Senegal e Zimbábue, além de análises que cobrem 52 países ao longo de três décadas.
Segundo a organização, nove em cada dez meninas entrevistadas afirmaram que os eventos climáticos extremos pressionam fortemente a sobrevivência e a estabilidade de suas famílias. Essa pressão se traduz em números concretos: 36% relataram ter visto mais meninas se casando ou entrando em união estável antes dos 18 anos, e 33% observaram aumento da gravidez não desejada em suas comunidades. Metade das entrevistadas disse ter dificuldade para obter produtos menstruais ou água potável.
O relatório também associa o clima extremo ao aumento da violência: 28% das meninas relataram mais casos de violência contra mulheres e meninas após eventos climáticos, índice que chega a 60% no Zimbábue, um dos países mais afetados pelas mudanças climáticas na África subsaariana. Para a Plan International, os serviços de saúde sexual e reprodutiva seguem negligenciados no planejamento de resposta a emergências climáticas, apesar de serem essenciais para a segurança e a dignidade das meninas.
A análise destaca ainda o impacto sobre a educação: a crise climática estaria tirando meninas das escolas, interrompendo sua formação e retirando o que a organização chama de principal fator de proteção em suas vidas, o que amplia a vulnerabilidade à exploração, à violência e ao casamento precoce.
Reena Ghelani, CEO da Plan International, afirma que, para as meninas, a crise climática não é uma ameaça distante, já afetando sua educação e aumentando os riscos de saúde. Segundo ela, apenas metade dos planos climáticos nacionais (as NDCs) menciona a saúde de meninas ou mulheres, e apenas 0,5% do financiamento climático multilateral é destinado a essa área.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

