Ibama aponta que a capixaba Grancafé recebeu café e pimenta-do-reino de fazendas com áreas embargadas na Mata Atlântica e seguiu exportando após as autuações
A Nestlé, a Melitta e o Strauss Group — uma das controladoras da marca 3Corações — mantiveram relações comerciais com a Grancafé, empresa de Linhares (ES) autuada 14 vezes pelo Ibama por adquirir café e pimenta-do-reino de fazendas que, segundo o órgão, cultivavam os produtos de forma irregular. As autuações ocorreram entre abril de 2024 e junho de 2026.
Segundo o Ibama, a Grancafé recebeu ao menos 1.833 sacas de 60 kg de café e 2,46 toneladas de pimenta-do-reino produzidas em áreas embargadas por desmatamento ilegal e outros danos ambientais à Mata Atlântica. O embargo é a medida usada pelo órgão para impedir a exploração de locais onde houve infração e permitir a restauração da vegetação nativa. De acordo com o Ibama, fazendas de Jaguaré (ES) e Vila Valério (ES) continuaram cultivando em terrenos já embargados e venderam essa produção à empresa capixaba.
Mesmo depois de autuada, a Grancafé exportou café em 2025 para subsidiárias da Nestlé e do Strauss Group na Europa, de acordo com dados alfandegários acessados pela Repórter Brasil. A empresa também segue listada pela Nestlé como fornecedora na relação mais recente divulgada pela multinacional, em abril de 2026. A Melitta confirmou à reportagem que a Grancafé integra sua cadeia de fornecimento.
O caso expõe como cadeias globais de café seguem absorvendo produção associada a desmatamento na Mata Atlântica, bioma que restou fragmentado e já perdeu a maior parte de sua cobertura original. As autuações do Ibama recaem sobre a conduta das fazendas fornecedoras e da Grancafé, intermediária que comprou a produção mesmo com as áreas sob embargo — o que, segundo o órgão, configura descumprimento das restrições impostas para conter o dano ambiental.
A reportagem da Repórter Brasil situa o episódio no debate sobre regulações internacionais de rastreabilidade, que pressionam multinacionais a comprovar que suas cadeias de fornecimento não se originam em áreas desmatadas. A permanência da Grancafé como fornecedora, mesmo após repetidas autuações, levanta questões sobre a eficácia dos mecanismos de monitoramento adotados pelas próprias empresas compradoras.
Fonte: Repórter Brasil
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Repórter Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

