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Estudo revela que veredas do Cerrado guardam até 6 vezes mais carbono que a Amazônia

Pesquisa inédita da Unicamp e do Cary Institute mostra que as veredas do Cerrado armazenam até seis vezes mais carbono que a Amazônia e cobrem área maior do que se imaginava, enquanto a legislação ambiental brasileira protege o bioma de forma muito mais frágil.

Nesta reportagem

Pesquisa inédita aponta estoques subestimados em até 90% e expõe fragilidade das proteções legais do bioma diante do agronegócio

Um estudo liderado pela pesquisadora Larissa Verona, da Unicamp e hoje vinculada ao Cary Institute of Ecosystem Studies (EUA), revelou que as áreas úmidas do Cerrado, conhecidas como veredas, podem armazenar até 20 bilhões de toneladas de dióxido de carbono — seis vezes mais do que uma área equivalente de terras baixas na Amazônia. O mapeamento por satélite indica que essas áreas úmidas podem cobrir até 16,7 milhões de hectares, ou 2% do território brasileiro, extensão muito maior do que se imaginava até então.

A pesquisa, baseada em amostragem profunda de solos coletados na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, a até 4 metros de profundidade, contraria estudos anteriores que examinavam no máximo 1,6 metro. Segundo os autores, isso significa que os estoques de carbono do Cerrado podem ter sido subestimados em 55% a 90%. Susan Page, da Universidade de Leicester, especialista em turfeiras tropicais que não participou do estudo, afirmou que esses estoques ficaram de fora das estimativas nacionais e globais de carbono justamente por não terem sido mapeados antes, e defendeu que o trabalho sirva de base para maior proteção dessas áreas.

O estudo também mostra que esse carbono está sob ameaça crescente. Ao medir emissões de gases-traço ao longo de um ano, a equipe constatou que as áreas úmidas liberam 70% de suas emissões anuais durante a estação seca, com pico em setembro. Com o Cerrado ficando mais quente e seco, os pesquisadores alertam que a drenagem, as estiagens mais longas e os incêndios mais frequentes ameaçam liberar um reservatório de carbono até agora considerado estável.

O Código Florestal brasileiro exige que propriedades privadas na Amazônia preservem 80% da vegetação nativa, mas no Cerrado essa reserva legal cai para apenas 20%. Para Rafael Oliveira, coautor do estudo e pesquisador da Unicamp, a lei que protege nascentes de água subterrânea contra ocupação costuma ser ignorada pelo Ibama no bioma:


Fonte: Notícias ambientais

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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