Seminário Soma dos Quintais reuniu mais de 40 mulheres indígenas e de outros territórios amazônicos para tecer estratégias de defesa da vida e dos rios
Mais de 40 mulheres de diferentes territórios da Amazônia participaram, entre os dias 25 e 27 de setembro, do Seminário da Rede Soma dos Quintais, Bioma Amazônia, realizado na Chácara Dom Luciano, em Manaus. O evento foi organizado pelo Serviço Amazônico de Ação, Reflexão e Educação Socioambiental (Sares) e pela Rede Jesuíta de Justiça Socioambiental (Risa), com o lema “Bioma Amazônia: Mulheres tecendo relações de autocuidado em defesa dos territórios e da vida”.
Entre as participantes esteve Larissa Karitiana, integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Rondônia, que relatou ao Cimi viver ameaças e adoecimento decorrentes de sua atuação na luta pela terra. Ela trouxe ao encontro a cosmovisão do povo Karitiana, citando a divindade das águas Ora e denunciando os impactos das usinas hidrelétricas do rio Madeira sobre seu território. Hellen Greicy Kokama, da Associação Wainakana Ayukawarana (Mulheres Guerreiras), de Manaus, relatou o apagamento que mulheres indígenas enfrentam em contexto urbano, afirmando que “ninguém apoia indígena em contexto urbano” e que nenhum órgão público reconhece sua identidade.
Milena Mura, coordenadora da Organização das Mulheres Indígenas Mura (OMIM), da Terra Indígena Guapenú, denunciou invasões de búfalos de fazendeiros, desmatamento, queimadas e a atuação da empresa Potássio do Brasil, que segundo ela está se instalando no território sem respeitar o povo Mura. Ana Paula Mura, da Terra Indígena Lago do Soares, em Autazes, relatou que a mesma empresa se instalou na região sem pedir licença para extrair silvinita do subsolo, e que as ameaças às lideranças que resistem ao projeto são constantes – inclusive ao seu companheiro, o tuxaua Filipe Gabriel Mura, o que a obriga a buscar abrigo com os filhos na casa da mãe quando ele precisa se ausentar.
O conceito que dá nome ao encontro parte da ideia de que cada mulher carrega um “quintal” – espaço de vida, memória, saberes e resistência – e que a soma desses quintais forma força coletiva. Durante os três dias, as participantes construíram um “Mapa Vivo dos Territórios”, trocaram saberes em oficinas de memória ancestral e produção de sabonete medicinal, e debateram a participação política das mulheres. No encerramento, um encontro virtual com o Fórum das Juventudes Amazônicas uniu diferentes gerações na identificação de lutas comuns.
Socorro Papoula, da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), destacou que a crise climática atinge de forma desigual as mulheres, que historicamente cuidam da água e dos territórios na Amazônia. Para as participantes, a articulação construída no seminário resultou em uma agenda conjunta de atividades previstas para o fim de 2026 e para 2027, consolidando o que definem como uma rede ampliada de cuidado mútuo e enfrentamento coletivo.
Fonte: cimi.org.br
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

