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Livros sobre Egydio Schwade resgatam memória da luta indígena em Roraima

Lideranças indígenas de Roraima e o CIR celebraram, na comunidade Barro em Surumu, o lançamento de dois livros sobre o indigenista Egydio Schwade, resgatando a história da Assembleia dos Tuxauas de 1971 e a luta pela demarcação da Raposa Serra do Sol.

Lançamento na comunidade Barro, em Surumu, reúne lideranças macuxi e histórico da Assembleia dos Tuxauas de 1971 que originou a demarcação da Raposa Serra do Sol

O Conselho Indígena de Roraima (CIR) e o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) lançaram, em 31 de agosto, na comunidade indígena Barro, região do Surumu, dentro da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, dois livros sobre a trajetória do indigenista Egydio Schwade: “Memórias das Lutas à Construção do Indigenismo Encarnado”, de autoria do próprio Egydio, e “Da Causa Perdida ao Indigenismo Encarnado: a trajetória de Egydio Schwade nos anos de chumbo (1972-1980)”, do professor e historiador Tiago Santos. O evento reuniu lideranças tradicionais, estudantes e a Rede Wakywaa de Comunicadores do CIR.

A escolha do local não é aleatória: foi na comunidade Barro, em 1971, que aconteceu a primeira Assembleia dos Tuxauas, marco de organização dos povos Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingarikó, Sapará e Patamona. O CIR explica que o feixe de varas, símbolo da união dessas comunidades, nasceu dali: “uma vara sozinha é fácil de quebrar, mas todas juntas, unidas, ninguém quebra”. Trinta anos depois daquela assembleia, veio a demarcação da Raposa Serra do Sol, conquista lembrada pelo Tuxaua Alcides Macuxi, da comunidade Barro, que relatou ao CIR ter sido preso por 38 dias em Boa Vista, em 1988, ao lado de outras 21 lideranças, durante enfrentamento com fazendeiros e policiais.

Segundo o relato de Alcides ao CIR, a Funai, à época, atuou contra os povos indígenas, acusando-os de invadir propriedades de fazendeiros, enquanto lideranças como os já falecidos Damásio Galé e Raimundo Macuxi II sofreram violência, incluindo tiros e marcas de ferro quente, na luta pela terra. A Pajé Mariana Macuxi, da comunidade Barro, também relembrou publicamente a força daquelas lideranças na articulação da união entre os povos.

A obra de Tiago Santos, resultado de tese de doutorado, situa a trajetória de Egydio Schwade no contexto da renovação do indigenismo na Igreja Católica durante a ditadura militar, quando missionários leigos e organizações passaram a enfrentar o que o pesquisador chama de política genocida dos governos militares contra os povos indígenas, sobretudo na Amazônia. Egydio, que integrou o Seminário dos Jesuítas e trabalhou com povos indígenas no Mato Grosso a partir de 1963, defende, segundo relato ao CIR, um indigenismo que rejeita a doutrinação e busca


Fonte: cimi.org.br

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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