Apib e organizações cobram demarcação e proteção após mais de 30 denúncias de ataques, com destaque para casos envolvendo os Guarani e Kaiowá
Povos indígenas e organizações da sociedade civil convocam uma mobilização em Brasília nesta quarta-feira (4) para denunciar a violência contra comunidades indígenas e cobrar medidas de proteção e demarcação de terras. Com o lema “Pelos povos indígenas! Sangue indígena, nenhuma gota a mais!”, o ato terá concentração às 16h no Museu Nacional da República, seguida de programação cultural e marcha até o Congresso Nacional.
A mobilização ocorre em meio a uma série de denúncias de violência registradas desde as eleições presidenciais deste ano. Segundo levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), foram contabilizadas mais de 30 denúncias contra indígenas, com destaque para os casos envolvendo os Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. Entre os episódios denunciados estão ameaças de envenenamento da água consumida por comunidades, assassinatos, atropelamentos, ameaças de morte e incêndios criminosos – entre eles o de uma casa de reza indígena.
Diante das denúncias, o Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal para investigar os ataques e ameaças. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) também acompanha as ocorrências, e o governo federal anunciou a criação de uma força-tarefa para reunir informações e acompanhar os casos. No dia 29 de outubro, a Apib e outras sete organizações regionais enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrando providências imediatas para garantir a segurança das comunidades e avançar nos processos de demarcação.
O Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Distrito Federal (Sindsep-DF) divulgou nesta terça-feira (3) nota de repúdio à violência contra os povos indígenas, somando-se às reivindicações da Apib e cobrando do governo ações permanentes de proteção, investigação dos crimes e responsabilização dos envolvidos. Na nota, o sindicato lembrou que Lula assumiu, em abril de 2023, durante o Acampamento Terra Livre, o compromisso de homologar todos os territórios indígenas pendentes até o fim do mandato, e afirmou que a efetivação dos direitos constitucionais exige demarcação, orçamento, fiscalização e estrutura para a Funai e o Ministério dos Povos Indígenas.
Na convocação para o ato em Brasília, os organizadores afirmam que a vitória eleitoral não encerrou a luta pela garantia de direitos e denunciam a continuidade dos ataques aos povos indígenas. “A democracia venceu, mas a luta ainda não acabou! Enquanto o Brasil celebra a vitória nas urnas, nossos parentes no Mato Grosso do Sul e em outras regiões do Brasil seguem sofrendo com ameaças e violência. Não podemos aceitar que nossos povos continuem sendo mortos por defender seus territórios e seus direitos”, afirma o chamado.
Fonte: Brasil de Fato
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

