Levantamento aponta 19 postulantes ao Senado em estados amazônicos que defendem regulamentação da mineração em territórios indígenas, incluindo negação da contaminação por mercúrio
Um levantamento d’O Globo identificou 19 candidatos ao Senado em estados da Amazônia que defendem o garimpo, seja por discurso, autoria ou apoio a projetos de lei sobre o tema. Em Rondônia, o médico Fernando Máximo (PL), líder da última pesquisa Quaest com 18% das intenções de voto, chegou a chamar de “falácia” a contaminação por mercúrio associada ao garimpo ilegal, contrariando pesquisas científicas sobre o tema. Em Roraima, estado onde a Terra Indígena Yanomami enfrentou crise humanitária durante o governo de Jair Bolsonaro por causa da invasão garimpeira, os quatro primeiros colocados na disputa ao Senado defendem a regulamentação da mineração em Territórios Indígenas.
A maioria dos candidatos identificados pertence a partidos de direita ou alinhados ao bolsonarismo, com nomes do PL, Republicanos, Podemos, União Brasil, PSDB, MDB, PSD e PSB. Os postulantes apresentam a mineração como caminho de progresso econômico para seus estados, inclusive dentro de Terras Indígenas, e criticam operações de fiscalização que apreendem maquinário de garimpos ilegais, alegando prejuízo a “trabalhadores honestos”. Em Rondônia, os três principais concorrentes de Máximo — Sílvia Cristina (PP), Mariana Carvalho (Republicanos) e Bruno Bolsonaro Sheid (PL) — também já se posicionaram contra fiscalizações ambientais ou a favor da mineração em territórios indígenas.
O padrão se repete em outros estados amazônicos. Em Roraima, Teresa Surita (MDB), Nicoletti (PL), Chico Rodrigues (PSB) e Hélio Bolsonaro (PL) mantêm discurso pró-garimpo. No Mato Grosso, o ex-governador Mauro Mendes (União), cuja gestão foi marcada por medidas favoráveis à mineração, lidera a corrida ao Senado, e seus concorrentes Janaína Riva (MDB) e Zé Medeiros (PL) também defendem a regulamentação em Terras Indígenas. No Pará, a pauta é sustentada por Éder Mauro (PL) e Zequinha Marinho (Podemos); no Acre, por Márcio Bittar (PL). No Amapá, onde o debate ambiental ganha força por causa do projeto da Petrobras de exploração de petróleo na Foz do Amazonas, o senador Lucas Barreto (PSD) defende ampliar a exploração mineral e critica a fiscalização que chama de “ostensiva”.
No Amazonas, o ex-governador Eduardo Braga (MDB), líder da pesquisa Quaest, integra o grupo de trabalho do Senado sobre regulamentação da mineração em Terras Indígenas, enquanto seus adversários Capitão Alberto Neto (PL) e Plínio Valério (PSDB) defendem o garimpo de forma mais explícita. Valério já declarou publicamente vontade de enforcar a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva e a atacou de forma misógina em sessão do Senado no ano passado, segundo o levantamento.
A composição do próximo Senado é decisiva porque os parlamentares eleitos votarão indicações para a diretoria da Agência Nacional de Mineração (ANM), órgão que concede licenças para a atividade minerária. Márcio Santilli, presidente do Instituto Socioambiental (ISA), alerta que legalizar o garimpo em Terra Indígena não encerraria a atividade ilegal: “Só vai criar um ponto de legalidade num mar de ilegalidades. À sombra da legislação, ela é mais lucrativa e se imbrica com o crime organizado. É um drama”, afirma.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

