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Cooperativa Mulheres de Barro, do Pará, entra no TOP 100 de Artesanato do Sebrae

A Cooperativa Mulheres de Barro, formada por 22 artesãos de Parauapebas (PA), venceu o Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato ao transformar cerâmica ancestral de seis mil anos, achada em área de mineração, em fonte de renda e resistência cultural.

Nesta reportagem

Cooperativa de Parauapebas nasceu de oficinas de educação patrimonial e transforma cerâmica ancestral de seis mil anos em símbolo de resistência diante da mineração

A Cooperativa Mulheres de Barro, de Parauapebas, no sudeste do Pará, e a Copamart, do Amazonas, figuram entre as cinco cooperativas vencedoras da 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, que neste ano selecionou 100 unidades produtivas de todo o país, incluindo artesãos e cooperativas dos estados que compõem a Amazônia Legal. O prêmio, promovido pelo Sebrae desde 2006, avalia critérios como gestão, inovação, identidade cultural e sustentabilidade, e a cerimônia de premiação acontece em novembro no Rio de Janeiro.

A história da Mulheres de Barro nasce em meio à instalação do projeto Salobo, um dos maiores empreendimentos de extração de cobre do país, dentro da Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri. Pesquisas arqueológicas conduzidas com apoio do Museu Paraense Emílio Goeldi encontraram, na região, vestígios cerâmicos com cerca de seis mil anos de existência, produzidos por povos que viviam às margens do rio Itacaiúnas e de seus afluentes. Foi a partir de oficinas de educação patrimonial — hoje exigência do Iphan em processos de licenciamento arqueológico — que um grupo de mulheres da região começou a aprender sobre essa história e a trabalhar a argila, sem conhecimento prévio da técnica.

Segundo Sandra dos Santos Silva, presidente da cooperativa, o grupo aprendeu tudo do zero ao longo de seis anos de formação, em um processo que ela descreve como uma virada de chave em suas vidas. Hoje a cooperativa reúne 22 cooperados, sendo 18 mulheres e 4 homens, que produzem peças cerâmicas inspiradas nos grafismos de povos que habitaram a região há milênios, aplicando pigmentos minerais extraídos localmente. O trabalho é reconhecido como símbolo da identidade cultural de Parauapebas, batizado de cerâmica Tapirapé-Aquiri.

Para Sandra, o diferencial da cooperativa está no empoderamento e na autonomia de mulheres por meio da arte, no fortalecimento do senso de pertencimento ao território e na geração de renda para as famílias envolvidas. A cooperativa também forma novos artesãos por meio de cursos e oficinas, mantendo viva a memória ancestral da região e da floresta onde os artefatos milenares foram encontrados.


Fonte: Mídia NINJA

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Mídia NINJA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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