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Espetáculo sobre impactos da mineração estreia em Nova Lima (MG)

O espetáculo Zona de Sacrifício estreia em Nova Lima (MG) nesta sexta-feira, articulando teatro, dança e audiovisual para expor os discursos corporativos e os efeitos concretos da mineração sobre os territórios e seus habitantes.

Nesta reportagem

Peça Zona de Sacrifício une teatro, dança e audiovisual para discutir discursos corporativos e efeitos concretos da exploração mineral sobre territórios

Nova Lima (MG) recebe nesta sexta-feira (13) a apresentação do espetáculo Zona de Sacrifício, idealizado e interpretado pela atriz e pesquisadora Carolina Correa, com direção e dramaturgia de Lara Duarte. A peça será encenada às 20h no C.A.S.A. – Centro de Arte Suspensa e Armatrux, dentro da programação do Projeto Casa Mostra, que também exibe obras do artista visual nova-limense Lúcio Vermelho.

A obra investiga as consequências da mineração sobre a vida das populações que habitam regiões de exploração mineral, articulando teatro, dança e audiovisual. A partir da provocação “e se a mineração fosse um deus?”, o espetáculo se divide em três movimentos: a mineração como divindade que exige sacrifícios, em chave grotesca e surrealista; a apropriação da linguagem publicitária e dos discursos corporativos das mineradoras, expondo contradições entre promessas de progresso e a realidade dos territórios impactados; e, por fim, imagens e depoimentos de moradores de comunidades do interior de Minas Gerais, que aproximam o público das experiências de quem convive diretamente com os efeitos da atividade mineral.

A pesquisa que origina o trabalho está ligada à experiência de Carolina Correa em Nova Lima, município historicamente marcado pela atividade mineradora. A convivência com sinais de alerta de barragens, visitas a comunidades atingidas e a escuta de moradores sustentam a construção de uma obra que trata a mineração não como tema distante, mas como realidade que atravessa o cotidiano, a segurança e as condições de vida de milhares de pessoas.

A apresentação ocorre em meio ao debate sobre segurança de barragens e transição energética, que mantém pressão sobre territórios diante da demanda global por minerais estratégicos como o lítio. Os efeitos dos desastres de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, continuam exigindo responsabilização e acompanhamento das comunidades atingidas. Dados da Agência Nacional de Mineração (ANM) divulgados em março de 2026 apontam que o Brasil encerrou 2025 com 90 barragens de mineração classificadas em situação de alerta ou emergência.

A programação do Casa Mostra reúne ainda trabalhos de Lúcio Vermelho, artista nascido no bairro operário do Retiro, em Nova Lima, que desenvolve pesquisa em desenho e escultura em madeira. Na série Trabalhadores, ele investiga rastros de quem construiu, com o próprio corpo, a cidade visível e a invisível, dando visibilidade a pessoas cujas contribuições raramente são registradas na história oficial. Com esculturas em madeira, carvão, pedra, ferro e técnicas mistas, Vermelho constrói uma espécie de arqueologia visual do trabalho e da formação de Nova Lima, aproximando sua produção das questões de território e sociedade tratadas por Zona de Sacrifício.


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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