Apoie
Skip to main content Scroll Top

No Amazonas, seminário forma povos indígenas para eleições de 2026 diante de Congresso hostil

Organizações indígenas do Amazonas realizaram seminário de formação política para as eleições de 2026, em meio a dados do Cimi que apontam maioria de parlamentares com atuação contrária aos direitos indígenas.

Nesta reportagem

Organizações indígenas do Amazonas debatem voto consciente após levantamento do Cimi mostrar maioria de parlamentares contrária aos direitos indígenas

Cerca de 80 pessoas, entre lideranças, professores, estudantes e indigenistas parceiros, participaram em 19 de setembro do Seminário “Tem Aldeia na Política”, realizado no auditório da Escola Normal Superior da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), em Manaus. O evento integra um processo de formação construído a partir da Cartilha Tem Aldeia na Política, lançada em 2022 e atualizada em 2025 para as eleições de 2026, com o objetivo de fortalecer a participação política dos povos indígenas no pleito que definirá os poderes executivo e legislativo.

O seminário foi organizado pela Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam), pelo Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (Foreeia), pelo Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), pelo Sares, pela Famddi e pelo Programa LigAção da Ufam. As mesas temáticas discutiram organização indígena, Bem Viver, a Lei 14.701 (Marco Temporal), o Projeto de Lei da Devastação, mineração em terras indígenas e critérios para escolha de candidaturas indígenas.

O debate ocorre em um estado que concentra, segundo o Censo 2022 do IBGE, cerca de 30% da população indígena do país, com seis das dez cidades brasileiras com mais pessoas indígenas. Ainda assim, a plataforma Congresso Anti-Indígena (CAI), lançada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em setembro, mostra que, desde 2019, 70,6% dos parlamentares e 67,6% dos votos analisados sobre direitos indígenas foram contrários aos direitos historicamente conquistados. No Amazonas, dos 16 deputados federais e senadores das duas últimas legislaturas, apenas um registrou voto ou proposição favorável aos povos indígenas.

Para o secretário executivo do Cimi, Luis Ventura, o investimento de setores como agronegócio e mineração no Legislativo explica a concentração de ataques contra os direitos garantidos pelos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988. Lideranças como Alva Rosa Tukano, do Foreeia, e Mariazinha Baré, da Apiam, defenderam que a formação política permanente é condição para o voto consciente, distinguindo posição apartidária de recusa ao debate político.

Estudantes indígenas também participaram do seminário, reforçando o apoio à chamada Bancada do Cocar, formada pelos atuais deputados federais indígenas. Izabel Cristine Munduruku, do Meiam, afirmou que a inserção de pessoas indígenas em mandatos legislativos e executivos tornou-se necessária diante das ameaças a políticas públicas voltadas à população indígena, citando a fragilidade do Bolsa Permanência como programa não consolidado em lei.


Fonte: cimi.org.br

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

Related Posts
Clear Filters

Um artigo de opinião no Amazônia Látitude defende que a resistência de povos indígenas como os Munduruku no rio Tapajós representa uma forma própria de política climática, que deveria orientar o protagonismo da Amazônia no debate global.

O Coletivo RPU Brasil apresentou à ONU, em Genebra, um balanço mostrando que a maioria das recomendações internacionais sobre direitos dos povos indígenas segue sem cumprimento pelo Estado brasileiro.

Especialistas alertam que a possível vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro completaria uma aliança conservadora que já governa Peru, Colômbia, Bolívia e Equador, colocando até 95% da Amazônia sob gestões favoráveis à mineração e ao agronegócio.

Empresas que operam usinas a diesel na Amazônia pedem mais de R$ 100 milhões para estocar combustível antes que os rios baixem, enquanto a ANA classifica oito sistemas hídricos do Nordeste em estado crítico diante do avanço do El Niño.