Organizações indígenas do Amazonas debatem voto consciente após levantamento do Cimi mostrar maioria de parlamentares contrária aos direitos indígenas
Cerca de 80 pessoas, entre lideranças, professores, estudantes e indigenistas parceiros, participaram em 19 de setembro do Seminário “Tem Aldeia na Política”, realizado no auditório da Escola Normal Superior da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), em Manaus. O evento integra um processo de formação construído a partir da Cartilha Tem Aldeia na Política, lançada em 2022 e atualizada em 2025 para as eleições de 2026, com o objetivo de fortalecer a participação política dos povos indígenas no pleito que definirá os poderes executivo e legislativo.
O seminário foi organizado pela Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam), pelo Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (Foreeia), pelo Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam), pelo Sares, pela Famddi e pelo Programa LigAção da Ufam. As mesas temáticas discutiram organização indígena, Bem Viver, a Lei 14.701 (Marco Temporal), o Projeto de Lei da Devastação, mineração em terras indígenas e critérios para escolha de candidaturas indígenas.
O debate ocorre em um estado que concentra, segundo o Censo 2022 do IBGE, cerca de 30% da população indígena do país, com seis das dez cidades brasileiras com mais pessoas indígenas. Ainda assim, a plataforma Congresso Anti-Indígena (CAI), lançada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) em setembro, mostra que, desde 2019, 70,6% dos parlamentares e 67,6% dos votos analisados sobre direitos indígenas foram contrários aos direitos historicamente conquistados. No Amazonas, dos 16 deputados federais e senadores das duas últimas legislaturas, apenas um registrou voto ou proposição favorável aos povos indígenas.
Para o secretário executivo do Cimi, Luis Ventura, o investimento de setores como agronegócio e mineração no Legislativo explica a concentração de ataques contra os direitos garantidos pelos artigos 231 e 232 da Constituição Federal de 1988. Lideranças como Alva Rosa Tukano, do Foreeia, e Mariazinha Baré, da Apiam, defenderam que a formação política permanente é condição para o voto consciente, distinguindo posição apartidária de recusa ao debate político.
Estudantes indígenas também participaram do seminário, reforçando o apoio à chamada Bancada do Cocar, formada pelos atuais deputados federais indígenas. Izabel Cristine Munduruku, do Meiam, afirmou que a inserção de pessoas indígenas em mandatos legislativos e executivos tornou-se necessária diante das ameaças a políticas públicas voltadas à população indígena, citando a fragilidade do Bolsa Permanência como programa não consolidado em lei.
Fonte: cimi.org.br
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

