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Peru prende irmãs Ferreyra por tráfico de tracajás e outros animais amazônicos

O Ministério Público peruano e uma agência ambiental dos Estados Unidos coordenaram a prisão das empresárias Milagros e Lita Ferreyra, apontadas como líderes de um esquema que exportou milhões de tracajás e outras espécies amazônicas como animais de estimação.

Nesta reportagem

Investigação do Ministério Público peruano e de agência dos EUA aponta esquema que exportou milhões de tracajás e outras espécies da Amazônia como bichos de estimação

Mais de 50 agentes da Divisão de Investigação de Crimes de Alta Complexidade (Diviac), da Polícia Nacional do Peru, prenderam nas primeiras horas do dia 16 de julho as empresárias Milagros e Lita Ferreyra Ahuanari, apontadas pelo Ministério Público peruano como líderes de uma suposta organização batizada de Los Peludos, dedicada ao tráfico de fauna silvestre amazônica. A operação em Iquitos, na região de Loreto, resultou também na prisão de outras nove pessoas, após uma investigação de quase três anos conduzida em conjunto com o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (U.S. Fish and Wildlife Service).

Segundo o Ministério Público, a organização capturava ilegalmente tartarugas, lagartos, capivaras, bichos-preguiça e outras espécies da Amazônia peruana para revendê-las à China, aos Estados Unidos, ao México e a outros países como animais de estimação exóticos, supostamente criados em instalações legais de zoocriadouros. As análises financeiras, o rastreamento de agentes infiltrados e as interceptações telefônicas citadas pela investigação apontam receitas milionárias não declaradas. Milagros Ferreyra compareceu à audiência judicial em 17 de julho e afirma ser inocente.

O caso expõe a fragilidade da fiscalização sobre o comércio de fauna amazônica: o Peru é apontado pela reportagem como o único país sul-americano que ainda permite a retirada de mamíferos e répteis do meio silvestre sem estudos populacionais atualizados. O tracajá, quelônio historicamente usado como alimento, remédio e ferramenta por comunidades amazônicas, tornou-se na década de 2020 o animal mais exportado do país — mais de 4,5 milhões de exemplares deixaram a Amazônia peruana entre 2014 e 2023, segundo dados aduaneiros citados pela apuração, a maior parte vendida por empresas ligadas às irmãs Ferreyra.

A trajetória de Milagros Ferreyra, que começou capturando peixes ornamentais na infância e chegou a organizar comunidades indígenas da Reserva Nacional Pacaya Samiria em grupos de manejo reconhecidos pelo Estado, ilustra como estruturas formalmente voltadas ao uso sustentável da fauna foram usadas, segundo as investigações, para viabilizar em larga escala a extração e exportação irregular de espécies. A União Internacional para a Conservação da Natureza classifica o tracajá como espécie vulnerável, mas a última avaliação populacional da espécie tem 30 anos, o que dificulta medir o real impacto do comércio sobre a fauna amazônica.

A investigação sobre as irmãs Ferreyra também se conecta a um esquema de tráfico de tartarugas Matamatá identificado em 2024 na fronteira com a Colômbia, em que animais capturados na Orinoquia colombiana eram enviados a Iquitos para serem


Fonte: SUMAÚMA

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de SUMAÚMA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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