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Morte de Zélia Amador de Deus reacende debate sobre apagamento de cientistas na Amazônia

A morte da professora emérita da UFPA Zélia Amador de Deus, em 8 de setembro de 2026, motivou artigo que denuncia o apagamento de cientistas mulheres na Amazônia e cobra reconhecimento de suas obras.

Nesta reportagem

Professora emérita da UFPA e cofundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará morreu em 8 de setembro; artigo cobra reconhecimento de pesquisadoras amazônidas

A professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA) Zélia Amador de Deus morreu em 8 de setembro de 2026. Artista, intelectual e cofundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, ela construiu trajetória que atravessou a educação, a cultura, a gestão universitária e a luta antirracista, segundo artigo publicado pela pesquisadora Thaís Fernandes no site Amazônia Latitude.

Em sua tese de 2008, “Os herdeiros de Ananse: movimento negro, ações afirmativas, cotas para negros na universidade”, Zélia investigou a atuação do movimento negro na construção das políticas de ação afirmativa, aproximando pesquisa social e linguagem teatral a partir da imagem das teias de Ananse para narrar estratégias de resistência. Ela participou diretamente da construção das ações afirmativas na UFPA e produziu conhecimento sobre as disputas que ampliaram a presença negra no ensino superior.

O artigo de Thaís Fernandes usa a morte de Zélia como ponto de partida para discutir o apagamento de mulheres cientistas na Amazônia. Segundo a pesquisa de Vânia Maria Torres Costa, professora da UFPA e autora do livro “À sombra da floresta: a Amazônia no jornalismo de televisão” (2022), o telejornalismo brasileiro constrói narrativas em que os sujeitos amazônicos aparecem inferiorizados e apagados diante da importância atribuída à floresta, reproduzindo hierarquias históricas entre regiões e pessoas.

O texto cita outras trajetórias de pesquisadoras ligadas a instituições paraenses: Joyce Kelly do Rosário da Silva, que pesquisa óleos essenciais e compostos bioativos de espécies amazônicas e recebeu em 2013 o prêmio L’Oréal-Unesco-ABC Para Mulheres na Ciência; Ândrea Ribeiro dos Santos, que atua em genética humana e médica e já reunia mais de 200 artigos publicados em periódicos especializados, segundo perfil do Instituto de Estudos Avançados da USP de 2023; e Jane Felipe Beltrão, que articula antropologia, história, gênero e direitos de povos indígenas.

Para a autora do artigo, o reconhecimento intelectual dessas mulheres se aprofunda quando suas obras são lidas, citadas e incluídas em currículos acadêmicos, e não apenas mencionadas em datas de homenagem. O texto defende que universidades e veículos de comunicação dediquem às contribuições dessas pesquisadoras a mesma atenção reservada aos problemas que investigam, como forma de romper com a lógica que reduz a Amazônia à paisagem e à carência, apagando sua capacidade de produzir ciência.


Fonte: amazonialatitude.com

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de amazonialatitude.com e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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