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Banco do Nordeste mantém crédito rural a fazenda multada por queimada no Maranhão

Levantamento da Repórter Brasil aponta que o Banco do Nordeste mantém crédito rural subsidiado a uma fazenda no Cerrado maranhense embargada e multada pelo Ibama por desmatamento com fogo, mesmo com alerta oficial de seca extrema ligada ao ‘Super El Niño’.

Nesta reportagem

Levantamento da Repórter Brasil mostra financiamento vigente em propriedade embargada pelo Ibama, em meio a alerta de seca extrema do ‘Super El Niño’

Um levantamento da Repórter Brasil identificou que o Banco do Nordeste, controlado pelo governo federal, mantém contratos de crédito rural com subsídio público em propriedades que tiveram áreas interditadas e foram multadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) por desmatamento com uso de fogo. Os dados foram obtidos a partir do cruzamento de registros de infrações ambientais, informações do Sicor (Sistema de Operações do Crédito Rural) e do Monitor do Crédito Rural, plataforma da organização MapBiomas.

Um dos contratos identificados pela reportagem financia atividades agropecuárias em uma fazenda do Cerrado maranhense e segue vigente justamente quando o próprio governo alerta para o risco de seca extrema e aumento das queimadas associados ao chamado “Super El Niño”. Segundo especialistas citados pela reportagem, o fenômeno climático tem seus efeitos intensificados pelo desmatamento e tende a reduzir as chuvas e elevar as temperaturas nas regiões Norte, Nordeste e em partes do Centro-Oeste — territórios que abrigam povos originários e biomas como o Cerrado, historicamente alvo de expansão do agronegócio.

Está em jogo a efetividade das próprias regras que o Estado criou para condicionar o crédito rural à regularidade ambiental. Desde janeiro de 2025, o Banco Central determina que os contratos que utilizam recursos públicos do crédito rural prevejam a possibilidade de desclassificação do empréstimo caso se verifique, durante a vigência do financiamento, o descumprimento de obrigações ambientais no imóvel rural. Entre esses descumprimentos está justamente a existência de embargos ambientais nas propriedades financiadas, registrados na lista pública do Ibama.

O embargo é a sanção administrativa aplicada pelo Ibama para interditar atividades produtivas nocivas ao meio ambiente e, em muitos casos, obrigar a restauração da vegetação nativa em áreas desmatadas ilegalmente. A manutenção de crédito público a propriedades nessa situação expõe uma contradição entre a política de fiscalização ambiental e a política de financiamento agropecuário, num contexto em que o desmatamento por fogo já é apontado por especialistas como fator que agrava os efeitos do próprio fenômeno climático extremo anunciado pelo governo.


Fonte: Repórter Brasil

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Repórter Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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