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Livro reúne acervo do Cimi sobre lutas indígenas no Nordeste entre 1978 e 1988

Pesquisadores organizam livro-álbum que reúne o acervo do Cimi sobre a luta de povos indígenas do Nordeste entre 1978 e 1988, período da ditadura e da redemocratização.

Nesta reportagem

Publicação organizada por pesquisadoras e pesquisador resgata fotografias, documentos e relatos de povos indígenas na ditadura e na redemocratização

O livro-álbum “Retomada – Memórias Indigenistas no Nordeste: uma mirada sobre o acervo do Cimi de 1978 a 1988” reúne fotografias, documentos, recortes de jornais e registros de assembleias que revisitam a luta dos povos indígenas do Nordeste durante a ditadura civil-militar e o processo de redemocratização. A obra foi organizada pelos pesquisadores e pesquisadoras Lara Erendira A. de Andrade, da Licenciatura Intercultural Indígena do CAA/UFPE, Manuela Schillaci, do Nepe/UFPE, e Alexandre Gomes, professor de Etnologia Indígena do Instituto de Humanidades da Unilab.

O recorte cobre o período entre 1978 e 1988, marcado pela mobilização social pela redemocratização e pela Assembleia Nacional Constituinte que resultou na Constituição Federal de 1988. Entre os povos retratados estão os Xokó, Kariri Xokó, Truká, Kambiwá, Pankararé, Kaimbé, Kapinawá, Pankararu, Kiriri, Potiguara, Tuxá, Wassu Cocal, Xukuru Kariri, Geripankó, Fulni-ô e Xukuru do Ororubá, que enfrentavam à época a negação de sua existência, disputas territoriais, violência e repressão.

A publicação é dedicada à memória de Alcilene Bezerra, que coordenou o Cimi Regional Nordeste entre 2014 e 2022 e foi a principal incentivadora da digitalização do acervo regional da entidade. Segundo o Cimi, a missionária indigenista é lembrada por seu compromisso com os povos indígenas e com a preservação e divulgação das memórias indigenistas.

O livro é resultado do projeto Memórias Indigenistas no Nordeste, que atua desde 2013 na salvaguarda, pesquisa, organização e divulgação do acervo do Cimi-NE. Entre as ações realizadas estão a digitalização e catalogação de 5.500 fotografias e slides, entre 2015 e 2016, a digitalização de 11.600 negativos fotográficos, entre 2018 e 2019, e o tratamento de 650 registros audiovisuais e sonoros, entre 2013 e 2015. Para os organizadores, recuperar esse material significa também enfrentar o apagamento histórico da presença indígena no Nordeste e contribuir para as discussões sobre Memória, Verdade e Reparação aos Povos Indígenas do Brasil.

Ainda que trate de acontecimentos entre 1978 e 1988, a obra dialoga com o Brasil contemporâneo: os documentos reunidos registram conflitos territoriais, violência contra comunidades indígenas, negação de direitos, racismo estrutural e disputas ligadas a projetos de desenvolvimento, temas que permanecem nas lutas dos povos indígenas. O livro integra a Coleção Retomada, do projeto Memórias Indigenistas no Nordeste, com apoio do Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura, e está disponível para acesso público.


Fonte: cimi.org.br

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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