Xamã yanomami narra em depoimento como conheceu o cacique kayapó em 1988 e a aliança entre povos contra garimpo e hidrelétricas
Davi Kopenawa Yanomami, xamã e liderança do povo Yanomami, publicou na SUMAÚMA um depoimento em que narra seu encontro com o cacique Raoni Mẽtyktire, do povo Kayapó, em 1988, durante a Constituinte, em Brasília. Segundo Kopenawa, ele conheceu Raoni por meio de Ailton Krenak, que explicou o significado do botoque usado pelo cacique como símbolo de luta contra invasores e políticos que ameaçam a Floresta Amazônica.
No relato, Kopenawa descreve a trajetória de aproximação com outras lideranças indígenas na época da redemocratização, quando conheceu também Marcos Terena e o então deputado federal Mário Juruna. Segundo ele, foi convidado por Raoni para ir a Altamira, onde encontrou Paulinho Paiakan e testemunhou o protesto da liderança kayapó Tuíra contra a construção da hidrelétrica então chamada Kararaô, atual Belo Monte, incluindo o episódio em que ela confrontou com um facão o coordenador-geral da Eletronorte à época.
Kopenawa afirma que Raoni, embora nunca tenha estado presencialmente na Terra Yanomami, apoiou a luta pela demarcação do território, concluída em 1992, e que pessoas ligadas a ele ajudaram a expulsar garimpeiros ilegais da região. Segundo o depoimento, autoridades da época resistiam à homologação plena das terras Yanomami e Kayapó, propondo demarcações reduzidas que as lideranças recusaram.
O relato integra uma série de homenagens da SUMAÚMA à trajetória de Raoni, reconhecido nacional e internacionalmente por décadas de resistência à devastação da Amazônia. Kopenawa é presidente e fundador da Hutukara Associação Yanomami, coautor dos livros
Fonte: SUMAÚMA
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de SUMAÚMA e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

