Rubio assina pactos de minerais e seguranca em turne sul-americana enquanto lideres indigenas alertam para aumento de violencia em territorios
O secretario de Estado dos EUA, Marco Rubio, percorreu Colombia, Equador e Peru nesta semana oferecendo acordos de mineracao e cooperacao militar a governos de direita recem-eleitos. Na Colombia, Rubio e o presidente Abelardo de la Espriella assinaram um pacto de minerais e cooperacao nuclear civil que preve financiamento conjunto de projetos de mineracao e processamento em ate seis meses, com apoio via emprestimos, seguros, investimentos e o que o Departamento de Estado chama de “facilitacao regulatoria” e “permissoes simplificadas”.
Organizacoes que atuam com povos originarios na regiao veem risco crescente para quem defende o territorio. Segundo a organizacao Global Witness, a Colombia registrou 48 assassinatos verificados de defensores ambientais em 2024, o pais mais letal do mundo para essa categoria. Mario Erazo Yaiguaje, lideranca indigena do povo Siona e ex-governador do Resguardo Siona Buenavista, afirmou em nota que as guardas indigenas – grupos comunitarios formados diante da omissao estatal – tem sido essenciais no combate a mineracao ilegal. “Nos, povos indigenas, levantamos a voz em defesa de nossa autonomia”, disse.
No Equador, o presidente Daniel Noboa avancou mudancas legais para acelerar a mineracao e permitir o uso das Forcas Armadas na protecao de projetos, incluindo a substituicao do licenciamento ambiental por autorizacoes genericas e a transferencia do ministerio do Ambiente para a pasta de Energia e Minas. Segundo grupos de direitos humanos, essas politicas vieram acompanhadas de repressao a manifestantes e liderancas antimineracao: durante uma greve nacional liderada por organizacoes indigenas em 2025, pelo menos tres pessoas morreram, entre elas um defensor de territorio indigena, e o governo abriu investigacoes criminais contra dezenas de ativistas, com o congelamento de contas bancarias de 61 liderancas.
Luis Canelos, presidente da Nacao Kichwa de Pastaza, declarou que o povo considera seu territorio como kawsak sacha, um ser vivo com consciencia e sujeito de direitos, livre de qualquer forma de extrativismo. Ja no Peru, onde Rubio segue nesta quinta-feira para tratar de cooperacao de seguranca com a presidente Keiko Fujimori, a coordenadora da organizacao Amazon Frontlines no pais, Daniela Andrade, afirmou que quase todas as bacias hidrograficas de Loreto sao hoje zonas de risco marcadas por violencia, desmatamento, trafico de pessoas e perseguicao a defensores da natureza e dos territorios locais, com garimpeiros operando sob conivencia de poderes em todos os niveis, segundo ela.
Mitch Anderson, diretor executivo da Amazon Frontlines, disse em nota que ha agora tres presidentes alinhados a Donald Trump no alto Amazonas enquanto Rubio negocia acordos voltados a extracao em larga escala de minerais na maior floresta tropical do planeta, lar de milhoes de pessoas indigenas. O Departamento de Estado, segundo reportagem do Inside Climate News, retirou no ano passado criticas a violacoes de direitos indigenas de seus relatorios anuais de direitos humanos e nao respondeu se os acordos preveem respeito ao consentimento livre, previo e informado dos povos afetados.
Fonte: amazonialatitude.com
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de amazonialatitude.com e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

