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Assassinatos de defensores ambientais dobram no Brasil em 2025, aponta relatório

Relatório da Global Witness aponta que o Brasil registrou 26 assassinatos de defensores ambientais em 2025, o dobro do ano anterior, enquanto geógrafo da USP associa os crimes ao avanço do garimpo e do agronegócio sobre territórios indígenas.

Nesta reportagem

Global Witness registra 26 mortes no país; geógrafo da USP classifica execuções como ‘assassinato seletivo’ contra quem barra garimpo e agronegócio

A América Latina concentrou 85% dos 124 assassinatos de defensores da natureza e do meio ambiente registrados em 2025, segundo o relatório anual da organização Global Witness. No Brasil, 26 pessoas foram mortas no período por resistirem à invasão de suas terras e florestas — o dobro do número contabilizado no ano anterior.

Ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o geógrafo Wagner Ribeiro, professor de pós-graduação em Ciência Ambiental na Universidade de São Paulo (USP), afirma que o Brasil ocupa há pelo menos 15 anos a segunda posição mundial em assassinatos de ambientalistas, atrás apenas da Colômbia. “Eu chamo de assassinato seletivo, porque não se mata qualquer pessoa. Se mata a pessoa que está impedindo ações ilegais, voltadas a ocupações de terras de forma ilegal, impedindo o avanço da mineração, contra a agricultura predatória. É disso que se trata”, diz o pesquisador.

Ribeiro relaciona a visibilidade internacional desse tipo de crime ao assassinato do seringueiro Chico Mendes, que segundo ele tornou público um debate até então marginal. “Temos no Brasil uma vasta e triste eliminação de ambientalistas que estão afrontando claramente interesses dos setores do agronegócio e da mineração”, afirma. O geógrafo cobra do Estado brasileiro a apuração efetiva desses casos e observa que o debate eleitoral, hoje concentrado em disputas em torno do Supremo Tribunal Federal, tem deixado as pautas ambientais em segundo plano.

O professor também comenta o avanço do garimpo em terras indígenas, associado por ele ao apoio de facções criminosas. Uma análise do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) mostra que a área ocupada pela atividade garimpeira cresceu 562% entre 2016 e 2024. Segundo Ribeiro, existem práticas de mineração menos degradantes e até tecnologias de recuperação de áreas já afetadas, que permitiriam evitar a exploração dentro de territórios indígenas. “Há práticas adequadas vinculadas à chamada boa engenharia e, com isso, você evita, por exemplo, a mineração em terras indígenas”, explica.

Para o geógrafo, no entanto, a lógica predatória prevalece sobre qualquer salvaguarda. “Alguns capitalistas perderam completamente a medida e estão partindo para o ilícito mesmo, porque a ganância e o desejo de ganhar são muito rápidos, uma coisa que tem que ser acelerada e num ritmo absolutamente avassalador, que não respeita nenhum tipo de salvaguarda ambiental do interesse geral da sociedade brasileira”, conclui Ribeiro.


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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