Repórter Brasil e Greenpeace encontram só pasto e gado onde a White Solder diz ter extraído 2.300 toneladas de cassiterita entre 2020 e 2025
A empresa White Solder, uma das maiores produtoras de estanho do mundo, comprou cassiterita declarada como originária de duas áreas em Campo Novo de Rondônia, no norte de Rondônia, onde não há evidência de atividade de mineração. Segundo apuração da Repórter Brasil, a companhia registrou em documentos oficiais a aquisição de 2.300 toneladas métricas do minério entre 2020 e 2025 provenientes desses locais.
A Repórter Brasil visitou as duas áreas apontadas pela empresa como fonte da cassiterita e encontrou apenas pasto e dezenas de cabeças de gado. A checagem foi feita por sobrevoo, em parceria com o Greenpeace Brasil, e também por estradas de terra que dão acesso ao local. Segundo o Greenpeace, além da verificação em campo, a organização analisou imagens de satélite de alta resolução, revisadas pela reportagem, que reforçam a ausência de sinais de extração mineral.
“As evidências disponíveis não mostram sinais espaciais e temporais consistentes com produção mineral”, afirma o Greenpeace. Segundo a organização, os indícios sugerem que as áreas funcionam como “minas fantasmas” — termo usado para descrever sítios de mineração autorizados a operar e vender minério, mas que, na prática, não registram produção real. Esse tipo de esquema pode servir para mascarar a origem verdadeira de minerais extraídos ilegalmente de áreas sem autorização, incluindo territórios indígenas.
A White Solder ocupa posição central no mercado global de estanho: o grupo se apresenta como um dos maiores fabricantes do metal no mundo e figura em segundo lugar em pagamento de royalties pela extração de cassiterita na Amazônia Legal brasileira, de acordo com dados da Agência Nacional de Mineração. A cassiterita é a matéria-prima do estanho, metal considerado estratégico para as indústrias de defesa e tecnologia, usado como uma espécie de “cola” na soldagem de componentes eletrônicos. A empresa compra o minério bruto e o processa em uma unidade industrial em Rondônia antes de exportá-lo.
O caso expõe uma prática que preocupa organizações socioambientais: o uso de licenças de mineração legítimas como fachada para escoar minério extraído ilegalmente, muitas vezes de terras indígenas e outras áreas protegidas da Amazônia, alimentando cadeias de fornecimento que abastecem a indústria eletrônica global.
Fonte: Repórter Brasil
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Repórter Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

