White Solder forneceu ao menos 525 toneladas do metal à Indium Corporation, fornecedora da Raytheon, entre 2023 e 2025, apontam registros alfandegários
A White Solder, mineradora ré por suspeita de integrar esquema de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, exportou ao menos 525 toneladas de estanho para a norte-americana Indium Corporation entre maio de 2023 e agosto de 2025, segundo registros alfandegários analisados pela Repórter Brasil. A empresa se apresenta como uma das maiores produtoras de estanho do mundo.
O estanho é classificado pelo Pentágono como material indispensável para a produção de componentes eletrônicos usados em equipamentos militares dos Estados Unidos. A Indium Corporation, compradora do metal fornecido pela White Solder, produz soldas destinadas à Raytheon, fabricante de sistemas militares como radares e mísseis de alta precisão que mantém diversos contratos com o governo norte-americano.
Com mais de cem anos de atuação, a Raytheon faturou US$ 88 bilhões em 2025. Entre seus contratos com o governo dos Estados Unidos está um acordo de US$ 2,2 bilhões, assinado em 2020, para a produção de sete radares de defesa antimíssil destinados à Arábia Saudita até 2027. Outro contrato, firmado em 2024 e válido até 2031, garante à companhia US$ 2,9 bilhões para fornecer aos Estados Unidos unidades do mais moderno radar de defesa aérea e antimíssil desenvolvido pela empresa.
O caso expõe como o garimpo ilegal em território Yanomami, que já provocou contaminação por mercúrio, violência e crise sanitária denunciadas por lideranças indígenas e por órgãos de saúde, pode estar conectado a cadeias produtivas globais ligadas à indústria bélica. A Terra Indígena Yanomami segue sob monitoramento de autoridades federais após anos de invasão garimpeira que colocou em risco a vida e a autonomia do povo Yanomami.
A reportagem da Repórter Brasil aponta a White Solder como ré em processo por suspeita de integrar esquema de extração ilegal na região. O caso reforça a denúncia de organizações indígenas de que o ouro e outros minérios retirados ilegalmente de territórios demarcados alimentam mercados internacionais sem que a origem seja devidamente rastreada.
Fonte: Repórter Brasil
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Repórter Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

