Especialistas alertam que vitória de Flávio Bolsonaro completaria aliança conservadora que já domina Peru, Colômbia, Bolívia, Equador e Venezuela
Um levantamento com base em análises de especialistas mostra que quatro dos nove países amazônicos já são governados por lideranças de direita e extrema direita favoráveis à mineração e ao agronegócio em detrimento da proteção ambiental. Se o senador Flávio Bolsonaro vencer as eleições presidenciais de outubro no Brasil, o país entraria nessa lista, e até 95% do bioma amazônico ficaria sob comando de gestões conservadoras, considerando também a Venezuela, hoje sob pressão dos Estados Unidos para ampliar a agenda petrolífera e mineral.
Segundo Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, mesmo governos comprometidos com o combate ao desmatamento já enfrentam dificuldades enormes para proteger a floresta. “Quando há governos que estão do lado oposto, acreditando que a motosserra está correta e que as leis de preservação estão incorretas, a situação se torna quase impossível”, afirmou. Flávio Bolsonaro concorre no lugar do pai, Jair Bolsonaro, inelegível e preso por tentativa de golpe de Estado, e é apontado por especialistas como disposto a retomar as políticas que marcaram a gestão anterior, período de desmonte da fiscalização ambiental e aumento do desmatamento.
Na Bolívia, o presidente Rodrigo Paz Pereira extinguiu o Ministério do Meio Ambiente em agosto de 2026, rebaixando o órgão a um vice-ministério, e acelerou por decreto medidas que flexibilizam controles ambientais para atrair investimento em energia e mineração — decisões que levaram povos indígenas amazônicos às ruas em protesto contra um possível “boom” de mineração. Valentina Figuera Martínez, da Global Forest Coalition, denuncia a criação de atalhos administrativos que permitem projetos de mineração sem aprovação legislativa, em violação de direitos territoriais. “É a maior erosão de direitos e de soberania dos últimos anos”, disse.
No Equador, o governo de Daniel Noboa fundiu o Ministério do Meio Ambiente ao Ministério de Energia e Minas e promove planos de expansão de petróleo e gás avaliados em mais de 45 bilhões de dólares, o que gera resistência de grupos indígenas equatorianos. No Peru, a presidente Keiko Fujimori, que tomou posse em julho, evitou mencionar o desmatamento e a violência contra defensores ambientais em seu discurso de posse e se opõe à ratificação do Acordo de Escazú, tratado que protege o acesso à informação e a defensores ambientais. Astrini teme que o Peru repita o modelo bolsonarista de afastamento de especialistas em biodiversidade e militarização de cargos de decisão.
O futuro de entidades como a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, dedicada ao desenvolvimento sustentável e aos direitos indígenas, ficaria incerto caso a conservação deixe de ser prioridade regional, segundo analistas ouvidos pela reportagem. Já projetos de infraestrutura transamazônica, hoje criticados por seus impactos ambientais, poderiam ganhar força. Para Martínez, a onda de governos de extrema direita e direita na América Latina “está contribuindo para acelerar a extinção da vida no planeta por meio do negacionismo climático, da violação de direitos e da destruição das regulamentações ambientais”.
Fonte: Notícias ambientais
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

