Usinas a diesel pedem R$ 100 milhões para estocar combustível antes que rios amazônicos baixem; ANA classifica oito sistemas hídricos como críticos
A seca já avança nas regiões Norte e Nordeste com a atuação do chamado “Super El Niño”, segundo levantamento da Folha sobre situações críticas e mobilizações em curso. O fenômeno deve se intensificar nos próximos meses, ampliando o temor de restrições no abastecimento de água, no transporte hidroviário e na geração de eletricidade.
Na Amazônia, comunidades em áreas remotas que dependem de sistemas isolados de energia, sem acesso à rede elétrica integrada do país, ainda usam óleo diesel para gerar eletricidade. As empresas que operam essas usinas pediram ao governo mais de R$ 100 milhões para antecipar a compra e estocar quase 18 milhões de litros do combustível antes que a queda do nível dos rios amazônicos impeça o transporte fluvial. A VP Flexgen, que opera termelétricas em Humaitá, Nova Olinda do Norte, Borba, São Gabriel da Cachoeira e Autazes, no Amazonas, solicitou R$ 71,3 milhões para 12,9 milhões de litros de diesel. A Powertech pediu R$ 29,4 milhões, mais R$ 2,7 milhões para logística, para 4,2 milhões de litros.
Essa dependência de combustível fóssil persiste porque o programa “Energias da Amazônia”, lançado em agosto de 2023 pelo Ministério de Minas e Energia, prometeu usinas renováveis e sistemas de armazenamento para essas regiões, mas ainda não cumpriu o compromisso, segundo a reportagem. Os pedidos das empresas envolvem repasse antecipado pela Conta de Consumo de Combustíveis, encargo cobrado nas contas de luz de todo o país para cobrir o custo de geração nos sistemas isolados — um custo que recai sobre toda a população enquanto a eletricidade a diesel, além de poluente, é uma das mais caras do sistema.
No Nordeste, a seca atinge reservatórios e rios usados para abastecimento humano, irrigação, criação de animais e atividades econômicas. O plano de preparação para o El Niño 2026-2027, aprovado neste mês pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico, já classifica oito sistemas hídricos em “estado hidrológico vermelho”, a faixa mais crítica. Quatro ficam no Rio Grande do Norte — Armando Ribeiro Gonçalves, Itans, Santo Antônio e Sabugi, e Cruzeta —, dois na Bahia — Mirorós/Manoel Novais e Riacho do Paulo — e dois em Pernambuco — Barra do Juá e Jucazinho.
O plano da ANA prevê condições especiais de operação e intervenções em 57 sistemas hídricos locais do Semiárido caso o cenário piore. Em agosto, o monitoramento de 542 reservatórios mostrava 112 deles abaixo de 20% da capacidade, um sinal de que parcela relevante do Nordeste já entrou no período mais crítico da seca, com pouca reserva de água disponível.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

