Apoie
Skip to main content Scroll Top

Eleições no Brasil podem entregar 95% da Amazônia a governos de direita

Especialistas alertam que a possível vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro completaria uma aliança conservadora que já governa Peru, Colômbia, Bolívia e Equador, colocando até 95% da Amazônia sob gestões favoráveis à mineração e ao agronegócio.

Nesta reportagem

Especialistas alertam que vitória de Flávio Bolsonaro completaria aliança conservadora que já domina Peru, Colômbia, Bolívia, Equador e Venezuela

Um levantamento com base em análises de especialistas mostra que quatro dos nove países amazônicos já são governados por lideranças de direita e extrema direita favoráveis à mineração e ao agronegócio em detrimento da proteção ambiental. Se o senador Flávio Bolsonaro vencer as eleições presidenciais de outubro no Brasil, o país entraria nessa lista, e até 95% do bioma amazônico ficaria sob comando de gestões conservadoras, considerando também a Venezuela, hoje sob pressão dos Estados Unidos para ampliar a agenda petrolífera e mineral.

Segundo Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, mesmo governos comprometidos com o combate ao desmatamento já enfrentam dificuldades enormes para proteger a floresta. “Quando há governos que estão do lado oposto, acreditando que a motosserra está correta e que as leis de preservação estão incorretas, a situação se torna quase impossível”, afirmou. Flávio Bolsonaro concorre no lugar do pai, Jair Bolsonaro, inelegível e preso por tentativa de golpe de Estado, e é apontado por especialistas como disposto a retomar as políticas que marcaram a gestão anterior, período de desmonte da fiscalização ambiental e aumento do desmatamento.

Na Bolívia, o presidente Rodrigo Paz Pereira extinguiu o Ministério do Meio Ambiente em agosto de 2026, rebaixando o órgão a um vice-ministério, e acelerou por decreto medidas que flexibilizam controles ambientais para atrair investimento em energia e mineração — decisões que levaram povos indígenas amazônicos às ruas em protesto contra um possível “boom” de mineração. Valentina Figuera Martínez, da Global Forest Coalition, denuncia a criação de atalhos administrativos que permitem projetos de mineração sem aprovação legislativa, em violação de direitos territoriais. “É a maior erosão de direitos e de soberania dos últimos anos”, disse.

No Equador, o governo de Daniel Noboa fundiu o Ministério do Meio Ambiente ao Ministério de Energia e Minas e promove planos de expansão de petróleo e gás avaliados em mais de 45 bilhões de dólares, o que gera resistência de grupos indígenas equatorianos. No Peru, a presidente Keiko Fujimori, que tomou posse em julho, evitou mencionar o desmatamento e a violência contra defensores ambientais em seu discurso de posse e se opõe à ratificação do Acordo de Escazú, tratado que protege o acesso à informação e a defensores ambientais. Astrini teme que o Peru repita o modelo bolsonarista de afastamento de especialistas em biodiversidade e militarização de cargos de decisão.

O futuro de entidades como a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, dedicada ao desenvolvimento sustentável e aos direitos indígenas, ficaria incerto caso a conservação deixe de ser prioridade regional, segundo analistas ouvidos pela reportagem. Já projetos de infraestrutura transamazônica, hoje criticados por seus impactos ambientais, poderiam ganhar força. Para Martínez, a onda de governos de extrema direita e direita na América Latina “está contribuindo para acelerar a extinção da vida no planeta por meio do negacionismo climático, da violação de direitos e da destruição das regulamentações ambientais”.


Fonte: Notícias ambientais

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

Related Posts
Clear Filters

Empresas que operam usinas a diesel na Amazônia pedem mais de R$ 100 milhões para estocar combustível antes que os rios baixem, enquanto a ANA classifica oito sistemas hídricos do Nordeste em estado crítico diante do avanço do El Niño.

Levantamento do Greenpeace Brasil mostra que candidatos às eleições de 2026 com multas ambientais, algumas ainda ativas, continuam recebendo crédito rural bilionário por causa de brechas na legislação.

A Polícia Federal aponta que o garimpeiro Rodrigo ‘Cataratas’, condenado por crimes na Terra Indígena Yanomami, financiou e articulou a fuga do ex-chefe da ABIN Alexandre Ramagem para os Estados Unidos.

O MPF recorreu ao TRF1 contra decisão que extinguiu ação sobre a licença de exploração de petróleo da Petrobras na Foz do Amazonas, alegando riscos ambientais e falta de consulta a povos indígenas e comunidades tradicionais.