Professor Marcos Colón argumenta que resistência dos Munduruku no rio Tapajós mostra outra forma de diplomacia climática, feita a partir dos territórios
Um artigo de opinião publicado no Amazônia Látitude, assinado pelo professor Marcos Colón, defende que a Amazônia pode se tornar uma referência mundial em política climática, mas apenas se as decisões passarem a escutar os povos que habitam a região. O texto cita como exemplo a mobilização de povos indígenas, incluindo comunidades Munduruku, que ocuparam e bloquearam por 33 dias o terminal fluvial da empresa Cargill em Santarém, no Pará. Segundo o artigo, a mobilização se opunha aos planos de dragagem do rio Tapajós para ampliar o transporte de soja e a um decreto federal que permitia a privatização das hidrovias amazônicas. Após o período de mobilização, o governo brasileiro revogou o decreto.
O autor descreve a Pan-Amazônia como um sistema vivo que atravessa fronteiras de oito países soberanos — Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela — além da Guiana Francesa, território ultramarino francês. Segundo o texto, apenas a Amazônia Legal brasileira ocupa quase 60% do território do país, e mais de 500 povos indígenas convivem na região com afrodescendentes, ribeirinhos, camponeses e outras comunidades tradicionais, cada qual com formas próprias de conceber território, desenvolvimento e vida.
O artigo destaca que, para os Munduruku, o rio Tapajós — chamado Idixidi em língua própria — não é uma infraestrutura ou recurso natural, mas um ancestral e participante ativo de um cosmos compartilhado por pessoas, peixes, animais, florestas e águas. Nessa perspectiva, defender o rio significa proteger relações que sustentam a própria reprodução da vida, e não apenas conservar um bem ambiental isolado. O autor argumenta que esse tipo de resistência territorial já constitui, na prática, uma forma de política climática, mesmo quando não é reconhecida como tal pelos fóruns internacionais.
O texto critica o modelo histórico de integração da região amazônica, construído por governos ao longo de gerações por meio de rodovias, portos, oleodutos, barragens e hidrovias voltados a conectar zonas de extração a mercados distantes. Como alternativa, o autor propõe o que chama de
Fonte: amazonialatitude.com
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