Ensaio de Marcos Colón destaca resistência Munduruku no rio Tapajós como modelo de política climática enraizada no território
Um ensaio do professor Marcos Colón, publicado pelo site Amazônia Latitude, defende que a Panamazônia – sistema vivo que se estende por oito países soberanos e a Guiana Francesa – já pratica uma diplomacia climática própria, distinta das negociações internacionais oficiais. O autor cita como exemplo a mobilização de povos indígenas, incluindo comunidades Munduruku, que ocuparam e bloquearam o terminal fluvial da Cargill em Santarém, no Pará. Segundo o ensaio, a resistência durou 33 dias e teve como resultado a revogação, pelo governo brasileiro, de um decreto federal que permitia a privatização das hidrovias amazônicas.
A mobilização se opunha aos planos de dragagem do leito do rio Tapajós e à ampliação do uso da via para escoar soja e outras commodities destinadas ao mercado internacional. Para Colón, esse tipo de ação defende território e, ao mesmo tempo, interrompe os circuitos materiais que provocam o colapso climático: a expansão do monocultivo, o desmatamento e a extração.
O texto ressalta que, para o povo Munduruku, o rio Tapajós – chamado Idixidi em língua originária – não é infraestrutura nem recurso natural, mas um antepassado e participante ativo de um cosmos vivo compartilhado por pessoas, peixes, animais, florestas e águas. Defender o rio, argumenta o ensaio, significa proteger as relações e os fluxos pelos quais a própria vida se reproduz – uma compreensão que raramente é reconhecida como parte da política climática formal.
Colón contrasta essa visão com o modelo histórico de integração da região panamazônica, construído a partir de rodovias, portos, oleodutos, represas, hidrovias e corredores de commodities que conectam zonas de extração a mercados distantes. Como alternativa, o autor propõe o que chama de
Fonte: amazonialatitude.com
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