Observatório do Clima e Instituto Arayara criticam novo certame, que inclui blocos na Amazônia e pode emitir 407 milhões de toneladas de CO₂
A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) promoveu anteontem (7/10) mais um leilão de áreas para exploração de combustíveis fósseis, vendendo 59 áreas: sete blocos no regime de partilha do pré-sal, 49 blocos exploratórios e três áreas de acumulação marginal em regime de concessão. Segundo levantamento do Instituto Internacional Arayara, a combustão dos recursos petrolíferos associados a essas áreas pode resultar na emissão de aproximadamente 407 milhões de toneladas de CO₂ — cerca de 20% das emissões anuais do Brasil.
O Observatório do Clima (OC) denuncia que a emergência climática está ausente do planejamento e dos editais do certame. A rede lembra que a ANP ofertou duas áreas terrestres em plena Amazônia, na Bacia do Tacutu, em Roraima, arrematadas pela estreante Aguila Energy, conforme destacou o Jornal Nacional. Para o OC, os próximos leilões precisam estar condicionados às demandas da transição energética.
A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, cobra a elaboração de um mapa do caminho nacional para o afastamento dos combustíveis fósseis. “Não podemos retardar mais a elaboração do mapa do caminho nacional para afastamento dos combustíveis fósseis, nem continuar com uma sequência irresponsável de leilões de petróleo. O Brasil precisa acelerar sua transição energética, de forma justa e inclusiva”, afirmou. A organização reforça que as reservas brasileiras já descobertas são suficientes para atender à demanda nacional por mais de uma década, o que esvazia o argumento de que é preciso explorar mais combustíveis fósseis para garantir segurança energética — e dispensa a prospecção de novas bacias, como a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas.
Além do risco climático, o OC aponta risco econômico: cenários da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a demanda mundial de petróleo e gás deve começar a cair a partir de 2030, o que pode transformar novos campos em ativos encalhados, com prejuízos para empresas, acionistas e para o país.
O Instituto Arayara, que entrou na Justiça com ações civis públicas pedindo a suspensão dos leilões da ANP, aponta que 22 das áreas arrematadas estão entre as 65 que classifica como em litígio. A organização afirma que a apresentação de propostas não encerra os questionamentos sobre essas áreas e que continuará acompanhando os processos judiciais e os desdobramentos administrativos e ambientais decorrentes dos arremates.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

