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Pantanal entra na rota da aridez com reclassificação climática de dois municípios

Novo plano federal contra a desertificação reclassifica Corumbá e Ladário, no Pantanal sul-mato-grossense, como áreas de clima subúmido seco, fenômeno que pesquisadores associam ao desmatamento no Cerrado e na Amazônia.

Nesta reportagem

Corumbá e Ladário, no Mato Grosso do Sul, passam de clima úmido a subúmido seco em novo plano federal contra a desertificação

O Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil, 2025-2045), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, reclassificou os municípios de Corumbá e Ladário, no noroeste de Mato Grosso do Sul, na categoria de clima subúmido seco. Antes considerados de clima úmido, os dois municípios ficam em área dominada pelo bioma Pantanal e, segundo o documento, essa classificação até então só havia sido registrada no interior do Nordeste, no norte de Minas Gerais e no noroeste do Espírito Santo.

O plano é o principal instrumento de planejamento da Política Nacional de Combate à Desertificação para os próximos 20 anos e atualiza dados de 2004. A reclassificação se baseia no Índice de Aridez, que mede a razão entre chuva acumulada e evapotranspiração potencial na bacia do Rio Paraguai entre 1990 e 2020. Segundo o documento, áreas áridas, semiáridas e subúmidas secas são consideradas suscetíveis à desertificação, fenômeno que combina fatores climáticos com ações humanas como desmatamento, queimadas e práticas agropecuárias predatórias.

Gabriel Hofmann, geógrafo e pesquisador da Plataforma Internacional para Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, explica à Mongabay que a seca no Cerrado está ligada ao fortalecimento do anticiclone do Atlântico Sul, intensificado pelas mudanças climáticas, somado à supressão da vegetação nativa para expansão da agricultura e da pecuária. Segundo ele, o Cerrado perdeu cerca de 36,7 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1990 e 2020, conforme o MapBiomas, e parte das nascentes que alimentam a bacia do Alto Paraguai nasce justamente nesse bioma, o que conecta a seca do Cerrado à redução das águas no Pantanal.

O biólogo Ernandes Sobreira Oliveira Junior, que pesquisa Pantanal, Cerrado e Amazônia, afirma que o desmatamento amazônico também pode reduzir o volume de água que chega ao Pantanal, por diminuir a evapotranspiração que alimenta os chamados rios voadores. Para ele, a reclassificação de Corumbá e Ladário pode refletir os efeitos combinados do desmatamento nos dois biomas. O pesquisador destaca que a redução das áreas alagadas começa pelo norte do Pantanal e compromete o abastecimento das regiões ao sul, tornando o ambiente mais vulnerável a queimadas e a problemas respiratórios.

Corumbá, com cerca de 96 mil habitantes e um rebanho bovino de mais de 2,1 milhões de cabeças, tem a pecuária de corte como base da economia, segundo a Embrapa. Já em Ladário predomina a agricultura familiar e de subsistência, incluindo comunidades tradicionais pantaneiras, segundo a prefeitura local. Hofmann pondera que, apesar da queda nas chuvas, a região ainda não se enquadra na definição de deserto da ONU, que exige precipitação anual inferior a 500 milímetros, bem abaixo dos 1.100 a 1.500 milímetros registrados no Cerrado e no Pantanal.


Fonte: Notícias ambientais

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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