Revista de jornalismo investigativo indígena Santa Maria (RS)
Apoie
Skip to main content Scroll Top

Relatório da Oxfam mostra que 0,1% mais rico polui mais que metade da humanidade

Relatório da Oxfam publicado antes da COP31 mostra que os 0,1% mais ricos do mundo emitem mais gases de efeito estufa do que 3,5 bilhões de pessoas pobres e ainda lucram com os desastres climáticos que ajudam a causar.

Nesta reportagem

Estudo divulgado antes da COP31 revela que ultrarricos lucram com desastres climáticos enquanto países do Sul Global pagam o preço mais alto

A Oxfam Internacional divulgou uma nova análise segundo a qual a parcela 0,1% mais rica da humanidade, cerca de 8 milhões de pessoas, produz mais emissões de gases de efeito estufa do que os 3,5 bilhões mais pobres somados. O relatório foi publicado menos de duas semanas antes da abertura da COP31, na Turquia, e aponta que essa elite não apenas contribui de forma decisiva para a crise climática, como também lucra com a destruição que ela provoca entre os mais pobres e vulneráveis.

Segundo a organização, uma pessoa entre os 0,1% mais ricos contribuiu quase 400 vezes mais para a ocorrência de eventos climáticos extremos do que alguém entre os 50% mais pobres do mundo. Coletivamente, essa elite produz três vezes mais poluição por carbono do que toda a população da África subsaariana, cerca de 1,3 bilhão de pessoas. Já os 1% mais ricos respondem por 20% do aquecimento global registrado desde 1990, e suas emissões devem causar quase US$ 53 trilhões em danos econômicos até 2050, além de 1,9 milhão de mortes adicionais ligadas ao calor, das quais 78% devem ocorrer em países de renda baixa e média-baixa.

A Oxfam destaca ainda a pegada de carbono do transporte aéreo privativo: em conjunto, os jatos privados emitem mais carbono em dois segundos do que uma pessoa dos 50% mais pobres emite em um ano inteiro. O estudo estima que, até 2050, até 1 bilhão de pessoas, cerca de 10% da população global, podem ser deslocadas pela crise climática, a maioria nos países do Sul Global, comunidades já atingidas por ondas de calor, secas, tempestades e inundações que afetam diretamente sua subsistência.

O relatório também mostra como desastres climáticos viraram negócio lucrativo: o mercado global de recuperação e reconstrução pós-desastres deve crescer de US$ 70 bilhões para US$ 92 bilhões ao ano até 2029. O novo índice


Fonte: ClimaInfo

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

Related Posts
Clear Filters

Estudo do centro de pesquisa CREA liga o fogo em Kalimantan e Sumatra a quase 58 milhões de pessoas respirando ar insalubre ou perigoso

Levantamento do Observatório da Transição Energética aponta que a 3D Minerals, financiada pelo Banco Master, possui 88 áreas de mineração sobrepostas a 127 territórios protegidos, incluindo dez terras indígenas e cinco quilombos.

Queimadas ligadas à expansão da pecuária elevam em mais de 23 vezes os atendimentos de saúde em Manaus e levam o governo do Amazonas a decretar emergência em 36 municípios, enquanto quilombolas relatam sufocamento cotidiano.

Matéria-prima do adorno ritual usado em casamentos depende exclusivamente de molusco do rio Arinos, ameaçado por projeto de hidrelétrica já arquivado