Matéria-prima do adorno ritual usado em casamentos depende exclusivamente de molusco do rio Arinos, ameaçado por projeto de hidrelétrica já arquivado
No território Rikbaktsa, na região de Brasnorte, Mato Grosso, a realização do casamento tradicional enfrenta um obstáculo crescente: a dificuldade de encontrar as conchas que formam o colar sagrado tutãra. A peça, usada pela madrinha para guiar os noivos até a celebração, depende de matéria-prima retirada exclusivamente das águas do rio Arinos, chamado pelo povo Rikbaktsa de tutãra Itsik.
A concha é produzida pelo molusco Paxyodon syrmatophorus e esculpida no formato do peixe curá, considerado peixe-mãe na mitologia Rikbaktsa, segundo o professor Juarez Paimy. As jornadas de coleta chegam a exigir mais de dois dias de viagem, conforme relato da comunicadora Lilian Rikbaktatsa. A integridade desse ecossistema enfrentou a ameaça da Usina Hidrelétrica Castanheira, prevista para o rio Arinos e a bacia do rio Juruena, projeto hoje arquivado mas que figurava entre 185 empreendimentos com potencial de instalação na região, segundo boletim da Operação Amazônia Nativa (OPAN).
O estudo
Fonte: Agência Pública
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Agência Pública e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

