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Museu Nacional recebe indumentária de Mãe Bernadete, ialorixá assassinada em 2023

O filho da ialorixá Mãe Bernadete, assassinada em 2023 no Quilombo Pitanga de Palmares, doou uma indumentária da mãe ao Museu Nacional durante encontro sobre memória quilombola.

Nesta reportagem

Filho da líder quilombola doou peça pessoal da mãe durante encontro sobre memória e patrimônio quilombola na instituição carioca

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, passou a ter em seu acervo uma peça de uso pessoal da ialorixá Mãe Bernadete, líder da Comunidade Quilombola de Pitanga de Palmares, assassinada em 17 de agosto de 2023 em Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador, Bahia. A doação de um vestido branco com detalhes em azul foi feita pelo professor Jurandy Pacífico dos Santos, filho da ialorixá, durante a 3ª edição do Diálogos da Reconstrução, encontro com o tema Memórias, Saberes e Patrimônios Quilombolas, realizado nesta semana na instituição em São Cristóvão, Zona Norte do Rio.

Jurandy Pacífico dos Santos afirmou à Agência Brasil que a indumentária escolhida representa mais do que um objeto. “Se trata de ancestralidade. Se trata de uma mulher que dedicou 72 anos de sua vida para a defesa dos Direitos Humanos, dos quilombos e do território”, disse. Para ele, manter a peça no Museu Nacional é forma de manter viva a memória de Mãe Bernadete e reconhecer uma cultura afro-brasileira historicamente humilhada e não reconhecida pelo sistema.

Mãe Bernadete, mulher negra, quilombola, ialorixá e defensora de direitos humanos, foi morta a tiros dentro de casa, na presença dos netos, em ataque com 25 disparos, a maioria no rosto. Segundo a promotoria à época, o motivo foi sua atuação contra a expansão do tráfico de drogas na comunidade. Ela estava sob proteção do Estado desde 2017, ano em que seu filho Binho do Quilombo também foi assassinado.

O encontro que recebeu a doação contou com a participação do Projeto Museu Nacional Vive, da Unesco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto Cultural Vale, com o objetivo de dialogar com lideranças quilombolas de diferentes regiões do país sobre preservação de memória e produção cultural. A diretora de Integração Museu e Sociedade da instituição, Thais Mayumi Pinheiro, destacou a importância de ouvir as lideranças sobre como querem estar representadas no museu, reforçando o compromisso com uma instituição plural e democrática.

Para Jurandy, a doação significa compartilhar com o Brasil e o mundo um pedaço da história e da luta de um povo que continua resistindo. “A indumentária deixa de ser apenas uma peça de vestuário e passa a ser um patrimônio de memória, carregado de identidade, espiritualidade, afeto e representatividade”, concluiu.


Fonte: Agência Brasil

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Agência Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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