Comitiva federal apura ameaças, incêndio criminoso e áudio que sugere envenenar água de comunidade em Mato Grosso do Sul
Uma comitiva interministerial do governo federal chegou a Mato Grosso do Sul neste sábado (31) para apurar uma onda de agressões, ameaças e violações de direitos humanos contra comunidades indígenas registradas após o segundo turno das eleições. A missão, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reúne o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, a ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello, e as deputadas Sônia Guajajara e Célia Xakriabá.
O grupo visitou a aldeia Taquaperi, em Coronel Sapucaia, território Guarani Kaiowá demarcado em 1928 que abriga mais de 3,3 mil pessoas, e tinha prevista para a tarde uma visita à aldeia Sassoró, em Tacuru. Essa última comunidade foi alvo de áudios atribuídos a dois servidores da prefeitura local, nos quais um deles sugere colocar veneno na água consumida pelos indígenas. Segundo o cacique Ivan Montiel, cerca de 98% das casas de Sassoró têm água encanada por poços artesianos, o que ampliou a preocupação da comunidade. A prefeitura confirmou o vínculo dos dois homens com a administração municipal e informou que ambos foram afastados e respondem a processos administrativos. De acordo com o Ministério Público Federal, perícias preliminares não constataram contaminação dos poços, mas as ameaças seguem investigadas pela Polícia Federal, com acompanhamento da Defensoria Pública da União.
Entre os casos sob apuração está o incêndio criminoso que destruiu, na quinta-feira (29), a casa de reza da liderança espiritual Ñandesy Roberta, de 90 anos, na aldeia Jaguapiré, também em Tacuru. Em outra investigação, sobre denúncias de mortes na região, o MPF afirma não ter encontrado elementos que confirmem que as vítimas eram indígenas.
Para a deputada Célia Xakriabá, a escalada de hostilidades nos territórios Guarani Kaiowá não é um fato isolado, mas uma ação orquestrada de retaliação política contra os povos originários pela mobilização eleitoral. A parlamentar relacionou o acirramento dos conflitos à aprovação da lei do marco temporal e a discursos da bancada ruralista. Já a ex-ministra Sônia Guajajara afirmou que a força-tarefa criada pelo Ministério dos Direitos Humanos busca apurar a veracidade dos fatos e garantir investigação e penalidade para os responsáveis.
A força-tarefa atua com a Polícia Rodoviária Federal e a Funai para garantir segurança nos territórios, e conta também com a Força Nacional de Segurança Pública, cuja presença já vinha sendo cobrada por lideranças indígenas diante da escalada de conflitos. O governo orientou as comunidades a recorrer a canais oficiais como o Disque 100, a plataforma Fala.BR e a Ouvidoria do Ministério dos Povos Indígenas, e afirmou que a presença do Estado na região continuará até a apuração total dos crimes.
Fonte: Brasil de Fato
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

