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Aumento do nível do mar altera rotina de pescadores na foz do Amazonas

Análise inédita do Instituto Serrapilheira mostra que o nível do mar na foz do Amazonas subiu 12,4 cm em três décadas, intensificando marés que destroem casas e transformam a vida de pescadores artesanais no Amapá.

Nesta reportagem

Análise inédita aponta elevação de 12,4 cm em três décadas na costa do Amapá, onde marés destroem casas e mudam a pesca artesanal

Uma análise inédita produzida para a investigação “Águas Partidas”, da InfoAmazonia em parceria com o Centro Latino-Americano de Investigación Periodística (CLIP) e o Instituto Serrapilheira, revela que o nível do mar na região da foz do rio Amazonas subiu 12,4 centímetros entre 1995 e 2025, um aumento médio de 4,13 milímetros por ano. O estudo, conduzido pelo pesquisador Guilherme Couto, mostra que em 2025 o mar permaneceu o tempo todo acima da média histórica de referência na região.

Na praia do Goiabal, no Amapá, o pescador Osiel Barbosa Balieiro, o Bicudinho, vive há 32 anos e testemunhou o avanço das chamadas “marés lançantes” a partir de 2013. Casas, pousadas e estruturas de comércio foram destruídas pelo mar, e a maioria dos moradores deixou a praia, restando poucas famílias de pescadores. Thiago Monteiro de Lima, dono de um dos únicos restaurantes que ainda funcionam no local, reconstruiu o piso da própria casa depois que o terraço anterior foi derrubado pela água salgada.

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o aumento do nível do mar está ligado ao aquecimento da temperatura oceânica e ao derretimento das calotas polares, fenômenos associados à crise climática. A topografia extremamente plana da costa amapaense e sua posição na foz do maior rio do planeta tornam a região uma das mais vulneráveis do país a esse processo, conforme aponta a reportagem.

A análise de Couto, vinculado ao programa de formação em ecologia quantitativa do Instituto Serrapilheira, identifica ainda que as inundações costeiras não apenas se tornaram mais frequentes, mas também mais longas e severas: o tempo de inundação crítica cresce, em média, 3,8 meses a cada década. Essa mudança altera diretamente a vida de comunidades pesqueiras que dependem do ciclo das marés para capturar peixes de água doce e salgada, como relatam moradores do Goiabal à reportagem.

A foz do Amazonas concentra um dos ecossistemas mais produtivos do planeta, segundo o ecólogo marinho Eduardo Tavares Paes, da Universidade Federal Rural do Pará. A pluma do rio, que pode avançar até 1.000 quilômetros dentro do Atlântico entre fevereiro e abril, sustenta manguezais, recifes de coral e a economia pesqueira de toda a costa amazônica, que vai do Amapá ao Maranhão e concentra 80% dos manguezais do Brasil. É justamente esse equilíbrio entre rio, mar e comunidades tradicionais que a elevação do nível do mar e a intensificação do ciclo hidrológico, atribuídas pelo IPCC ao aquecimento global, colocam em risco.


Fonte: InfoAmazonia

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de InfoAmazonia e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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