Climate Impact Lab estima 26,7 mil óbitos adicionais no Brasil e Banco Mundial prevê alta de 18% nos preços dos alimentos
Um novo estudo do Climate Impact Lab, iniciativa de pesquisa ligada à Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, projeta 857,4 mil mortes adicionais no mundo entre junho deste ano, quando o chamado Super El Niño começou, e março de 2027, quando o fenômeno deve terminar. Desse total, 372,9 mil óbitos são esperados para os próximos seis meses, segundo informam Carta Capital, Um Só Planeta e Independent.
No Brasil, a estimativa do levantamento chega a 26,7 mil mortes adicionais ao longo dos dez meses analisados, o que coloca o país em sexto lugar entre os que têm as maiores projeções de óbitos, atrás de Índia, China, Nigéria, Sudão e Indonésia. O estudo aponta que os óbitos relacionados ao calor devem ficar acima da média histórica brasileira em todos os meses do período, segundo destaca o Valor. A ferramenta usada pelos pesquisadores, chamada El Niño Heat Mortality Tracker, analisa cerca de 3,7 mil regiões em diferentes países e, segundo o Climate Impact Lab, pode ajudar governos e organizações a identificar as populações mais expostas e direcionar medidas de prevenção.
Os efeitos do fenômeno não se limitam às mortes diretas por calor. O Banco Mundial prevê que os preços dos alimentos subam 18% no próximo ano em razão das ameaças às colheitas de arroz e café, informa O Globo. Máximo Torero, economista-chefe da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), explicou que as culturas que recebem maior atenção são as que constituem os alimentos básicos, fonte da maior parte das calorias consumidas pelas populações de países vulneráveis. O arroz é afetado especialmente na Ásia, onde a redução das chuvas pode limitar plantio e produtividade. Milho e feijão, essenciais no México, na América Central e no sul da África, também correm risco maior de seca, enquanto sorgo, milheto e trigo podem sofrer com chuvas irregulares, segundo a FAO.
A Bloomberg relata que bancos já avaliam estruturas de empréstimo e riscos de perda diante dos eventos extremos ligados ao El Niño, com o refinanciamento de dívidas entre as opções em consideração. Gestores de recursos alertam que a intensidade do atual fenômeno deixará investidores sem proteção, à medida que o El Niño interrompe o abastecimento de commodities, impulsiona a inflação e amplia déficits comerciais em diferentes países.
O impacto desigual projetado pelo estudo expõe como populações de países do Sul Global concentram as maiores estimativas de mortes e de insegurança alimentar diante de um fenômeno climático que escapa ao seu controle, enquanto o sistema financeiro internacional já se reorganiza para proteger capital e dívida frente às perdas nas colheitas.
Fonte: ClimaInfo
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

