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Família de garimpeiro condenado por crimes na Terra Yanomami sustentou fuga de Ramagem nos EUA

Mensagens obtidas pela Agência Pública revelam que parentes de um garimpeiro condenado por crimes na Terra Indígena Yanomami hospedaram e ajudaram Alexandre Ramagem durante sua fuga para os Estados Unidos.

Nesta reportagem

Mensagens obtidas pela Agência Pública mostram que parentes de Rodrigo Cataratas hospedaram e ajudaram o ex-diretor da Abin a driblar autoridades americanas em Miami

Mensagens de WhatsApp obtidas pela Agência Pública, com apoio do ICIJ, mostram que a família de Rodrigo Martins de Mello, o Rodrigo Cataratas, condenado a mais de 16 anos de prisão por liderar organização criminosa de mineração ilegal de cassiterita e ouro na Terra Indígena Yanomami, ciceroneou e hospedou o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem durante sua fuga para os Estados Unidos, em setembro de 2025. Segundo a Polícia Federal, Priscila Freitas de Melo, esposa de Cataratas, e Celso Rodrigo de Mello, filho dele, organizaram documentos falsos para que Ramagem obtivesse carteira de motorista na Flórida e o receberam em um condomínio de luxo em Miami.

Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado e está foragido desde antes da sentença, quando o STF já havia decretado sua prisão preventiva por suspeita de fuga. Ele deixou o Brasil pelo município de Bonfim, em Roraima, rumo à Guiana, de onde seguiu para os Estados Unidos. Segundo a PF, a família de Cataratas teve “papel de protagonismo na manutenção clandestina” do foragido, viabilizando sua moradia e auxiliando-o a “ludibriar as autoridades americanas” para conseguir documentos.

Cataratas foi condenado por comandar a logística do garimpo ilegal na terra Yanomami, com frota de helicópteros usados para transportar pessoal, combustível e minério. Seu filho Celso também foi condenado, a oito anos, por gestão financeira e logística do esquema; ambos recorrem em liberdade. Cataratas responde ainda a denúncias por financiar a destruição de uma caminhonete do Ibama e por patrocinar invasão à superintendência do órgão em Roraima, além de ação civil pública dentro da Operação Forja de Efestos.

O procurador Alisson Marugal, do Ministério Público Federal de Roraima, afirma que a atuação da família Martins de Mello no garimpo levou à destruição de rios e florestas e à deterioração da saúde dos Yanomami, com corrupção, aliciamento de indígenas e disseminação de doenças. O MPF investiga atualmente um possível genocídio do povo Yanomami decorrente da invasão de seu território entre 2021 e 2022, período em que ao menos 23 aeronaves foram usadas na extração ilegal de ouro e cassiterita.

A revelação amplia as conexões do grupo ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde Ramagem apresenta um programa ao lado de Allan dos Santos e participa de eventos da extrema direita norte-americana. Cataratas, hoje radicado na Guiana, segue operando no garimpo e é investigado pelo STF, assim como Priscila e Celso, por apoio à fuga de Ramagem. A reportagem não localizou Ramagem, Cataratas nem Celso de Mello para comentar; o espaço permanece aberto.


Fonte: Agência Pública

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Agência Pública e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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A Polícia Federal aponta que o garimpeiro Rodrigo ‘Cataratas’, condenado por crimes na Terra Indígena Yanomami, financiou e articulou a fuga do ex-chefe da ABIN Alexandre Ramagem para os Estados Unidos.