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Fazendeiros ameaçam invadir Terra Indígena Apyterewa se Flávio Bolsonaro vencer eleição

Áudios reunidos pela Folha mostram fazendeiros do Pará ameaçando invadir a Terra Indígena Apyterewa no dia do segundo turno, apostando numa eventual vitória de Flávio Bolsonaro para retirar o território do povo Parakanã.

Nesta reportagem

Áudios reunidos pela Folha mostram pecuaristas no Pará anunciando invasão ao território Parakanã após o 2º turno, com data marcada para o dia da eleição

Fazendeiros da região do rio Xingu, no Pará, enviaram áudios por WhatsApp ameaçando invadir a Terra Indígena Apyterewa no dia 25 de outubro, data do segundo turno das eleições presidenciais, caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito. Os oito áudios, reunidos pela Folha, miram o território dos Parakanãs, povo de recente contato com não indígenas que vive próximo ao rio Xingu, em São Félix do Xingu.

Nas mensagens, moradores relatam aumento na circulação de motos e caminhonetes na região e dizem que pecuaristas já compram lonas e materiais de roça para iniciar a ocupação assim que terminar o pleito. Os recados orientam os Parakanãs a evitar áreas onde fazendeiros já preparam o solo para pastagens e plantações, chegando a sugerir que o povo deixe a região. A expectativa relatada pelos próprios fazendeiros é a de que Flávio Bolsonaro, caso vitorioso, e o governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), retirem o território do povo Parakanã e o repassem aos pecuaristas. A campanha de Flávio e a atual gestão estadual não responderam à reportagem; a assessoria de Dr. Daniel informou que não comentaria.

O material é conhecido pelos órgãos de inteligência do governo federal, que também investigam se a onda de incêndios florestais recente no território foi provocada deliberadamente por fazendeiros. Um agente da Polícia Federal, que não se identificou, classificou as informações de inteligência sobre as ameaças aos Parakanãs como sólidas e preocupantes. O caso foi pauta de reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula na semana passada, que deliberou pelo reforço das ações de segurança e aumento do efetivo mobilizado para prevenir novas ocupações ilegais, segundo nota do Ministério dos Povos Indígenas.

A Apyterewa tem histórico longo de violência e desmatamento. Dados do INPE mostram que a área destruída saltou de 18,9 km² em 2018 para 85,3 km² em 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, atingindo recorde de 102,2 km² em 2022. Em 2023, já sob o governo Lula, caiu para 20,6 km². O território é um dos objetos da ADPF 709, na qual o então ministro do STF Luís Roberto Barroso determinou em 2020 a expulsão de invasores de terras indígenas — ordem que Bolsonaro não cumpriu. A desintrusão só começou em 2023, com reação violenta de fazendeiros, que derrubaram pontes para impedir a passagem de agentes. Um servidor da Funai foi baleado no fim de 2023, e um contratado do Ibama foi morto em 2025.

Nas últimas semanas, o clima eleitoral voltou a acirrar os ânimos na região, segundo autoridades. Dados do INPE compilados pelo Programa Xingu mostram que os focos de incêndio saltaram de 41 em julho para 626 em agosto e 1.007 em setembro, levantando suspeitas de queimadas propositais. Homologada em 2007, a Terra Indígena Apyterewa ocupa 773 mil hectares e abriga mais de mil Parakanãs.


Fonte: ClimaInfo

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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