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MPF processa Shell e pede R$ 541 milhões por enchentes no RS

O MPF e o Instituto Preservar processam a Shell e pedem R$ 541 milhões em reparação pela contribuição histórica da petrolífera às emissões que agravaram as enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.

Nesta reportagem

Ação inédita no Brasil liga emissões históricas da petrolífera à tragédia climática que atingiu o Rio Grande do Sul em maio de 2024

O Ministério Público Federal (MPF) e o Instituto Preservar ingressaram com ação civil pública contra a Shell exigindo reparação parcial pelos danos das chuvas históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Com base em estudos científicos, o processo busca a responsabilização da petrolífera anglo-holandesa pelos impactos da crise climática provocada pela queima de combustíveis fósseis.

Os reclamantes pedem a condenação da Shell a pagar R$ 270,5 milhões por danos morais coletivos ambientais e climáticos, e mais R$ 270,5 milhões por danos materiais, somando R$ 541 milhões. Caso a Justiça condene a empresa, o MPF propõe que os valores sejam direcionados a um instrumento financeiro sob fiscalização judicial, destinado exclusivamente a reparação, reconstrução, adaptação climática, prevenção de desastres e proteção das populações atingidas no estado.

A ação se apoia em análises científicas que conectam a produção e a queima de combustíveis fósseis ao aumento de eventos extremos, como as chuvas de maio de 2024. O MPF afirma que não atribui à Shell responsabilidade exclusiva pela tragédia, mas defende que a empresa deve responder por sua contribuição histórica e continuada para as emissões de gases de efeito estufa e pelo papel dessas emissões na intensificação do desastre.

Segundo o MPF e o Instituto Preservar, a existência de múltiplas causas para as enchentes não impede a apuração da contribuição de agentes econômicos para o agravamento do evento. O cálculo da reparação material leva em conta os custos públicos de resposta, reconstrução e mitigação, a influência das mudanças climáticas no evento e a participação proporcional da empresa nas emissões acumuladas. De acordo com a base Carbon Majors, pouco mais de 2% das emissões globais históricas de CO2 provenientes de combustíveis fósseis e cimento são atribuíveis ao Grupo Shell, do qual a Shell Brasil Petróleo é subsidiária.

Thales Miola, advogado do Instituto Preservar, afirma que a ação combina inovação jurídica e rigor técnico, apoiada em estudos que demonstram o nexo causal entre emissões, mudanças climáticas e o aumento da probabilidade e intensidade de eventos extremos como as chuvas que provocaram as enchentes no Rio Grande do Sul. Segundo ele, os grandes poluidores também devem responder pelos prejuízos que ajudam a causar. A ação é a primeira desse tipo na Justiça brasileira, mas segue uma tendência mundial de litigância climática que busca responsabilizar empresas de combustíveis fósseis pelos danos que suas emissões históricas ajudam a provocar.


Fonte: ClimaInfo

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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