Povos indígenas, quilombolas e movimentos populares ocuparam o Inpa em Manaus na 32ª edição do ato que ressignifica o 7 de setembro
Mais de duas mil pessoas participaram, em 7 de setembro, da 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, realizada no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus. Com o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, o encontro reuniu povos indígenas, quilombolas, sindicatos, movimentos de moradia e organizações populares para contrapor às celebrações oficiais da independência com pautas de exclusão e resistência.
A liderança indígena Rosângela Kambeba, conhecida como dona Rosa, moradora da comunidade Puraquequara, na periferia de Manaus, afirmou que os povos indígenas se somam às classes populares não indígenas na luta comum. Segundo Dino Santos, assessor do Fórum Amazonense de Reforma Urbana (FARU), a ausência de políticas habitacionais no Amazonas gera um déficit estimado em 120 mil moradias e alimenta ocupações irregulares. Dados levantados pelo Fórum apontam que, em 2025, mais de 35 mil famílias no estado estavam sob ameaça de despejo, sendo 16 mil delas indígenas em contexto urbano – o que representa cerca de 140 mil pessoas sob risco de despejo, muitas vezes marcado por violência, segundo Santos. Ao longo de quatro anos, 380 famílias indígenas urbanas foram despejadas de suas comunidades, denunciou o assessor.
A violência contra as mulheres ganhou centralidade no ato com o depoimento de Edinelza Fernandes Frithz, mãe de Camila Vitória Frithz, assassinada em 2023 pelo ex-marido, o policial militar Olímpio Gomes Maia. Edinelza relatou o histórico de ameaças e manipulação que precedeu o crime e cobrou justiça pela filha; o julgamento do acusado, previsto para agosto, foi adiado para outubro de 2026. O padre José Alcimar, da Cáritas Arquidiocesana de Manaus, afirmou que o aumento de feminicídios no Brasil exige que a Igreja e a sociedade se posicionem contra a violência.
A presença indígena também se manifestou na fala de mulheres que vivem em contexto urbano na capital amazonense. Para dona Rosa, o conhecimento ancestral de cuidado com a terra, o rio e a floresta segue vivo mesmo fora das aldeias e precisa orientar a sociedade diante da crise ambiental. Ela e outras artesãs apresentaram, durante o ato, produtos de economia solidária feitos a partir de insumos da floresta sem destruição das árvores.
Criado nos anos 1990 e assumido pela CNBB em 1996, o Grito dos Excluídos e Excluídas questiona anualmente a ideia de soberania nacional a partir da realidade de quem vive à margem, segundo Guadalupe Peres, da Arquidiocese de Manaus. A programação em Manaus terminou com missa celebrada por dom Samuel Ferreira de Lima.
Fonte: cimi.org.br
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

