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Livro resgata trajetória de Egydio Schwade e resistência indígena na ditadura

Lançamento de livro sobre Egydio Schwade na PUC Minas reuniu lideranças indígenas e pesquisadores para resgatar a história de resistência dos povos originários durante a ditadura e alertar sobre violências que persistem contra os territórios hoje.

Nesta reportagem

Obra do historiador Tiago F. dos Santos, lançada na PUC Minas, reúne lideranças e pesquisadores em noite de memória sobre o indigenismo missionário entre 1972 e 1980

A PUC Minas, em Belo Horizonte, recebeu na noite de quarta-feira (28) o lançamento do livro “Da causa perdida ao indigenismo encarnado: a trajetória de Egydio Schwade nos anos de chumbo (1972–1980)”, escrito pelo historiador Tiago F. dos Santos, professor e pesquisador do PPGICH/UEA e do PPGH/UFAM. O evento reuniu o próprio Egydio Schwade, um dos fundadores do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), lideranças indígenas, religiosos, pesquisadores e estudantes, como parte da programação do II Ciclo de Diálogo TEKOÁ.

A liderança Ubirajara Pataxó relatou ao debate a história de violência contra seu povo, lembrando que pistoleiros foram contratados para matar indígenas e que seu avô deixou a aldeia Caramuru, no sul da Bahia, por causa dos conflitos. Ele criticou a associação da questão indígena apenas aos povos do Norte do país, citando os Pataxó, Kiriri, Pankararé e Pankararu como povos que mais sofreram violência histórica. “Éramos mais de cinco milhões e muitos foram mortos. Hoje estamos na luta para não acabar o pouco que somos”, afirmou.

Egydio Schwade recordou sua trajetória desde 1966, ao lado do jesuíta Thomaz de Aquino Lisboa, visitando os Kaingang e os Guarani então sob tutela do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Denúncias publicadas no jornal Correio do Povo levaram à criação de uma CPI estadual e depois de uma investigação nacional, que contribuiu para o fim do SPI e a criação da Funai — órgão que, segundo ele, manteve na prática a mesma política integracionista. Ele também relembrou a assembleia indígena de 1977 em Roraima, cercada pela Polícia Federal e pela Funai, que exigiram a expulsão dele e de Dom Tomás Balduíno sob ameaça de encerrar o encontro; os indígenas se recusaram, e naquela noite, segundo Egydio, começaram os primeiros passos para a demarcação contínua da Raposa Serra do Sol, conquistada décadas depois.

O autor Tiago F. dos Santos destacou que o lançamento ocorre em momento de reconstrução da memória e busca por justiça e reparação das violências da ditadura civil-militar, mas também conectado às violências atuais contra os povos indígenas. Ele citou como exemplos a expansão de resorts no extremo sul da Bahia, a mineração em terras do povo Mura e a BR-319, que seguiriam, segundo o historiador, os moldes do projeto militar de cercar a Amazônia com rodovias. Para ele, o governo militar só passou a se preocupar com a questão indígena quando as violações passaram a ser denunciadas na imprensa internacional a partir de 1969, período do Relatório Figueiredo.

Tiago explicou que a expressão “causa perdida” no título reflete a visão da época, de que os povos indígenas seriam inevitavelmente assimilados, e destacou o papel de mulheres indigenistas que enfrentaram família, Igreja e universidade pela causa. Egydio Schwade, que atua há mais de 60 anos no indigenismo, encerrou com esperança: hoje Minas Gerais tem mais de 20 povos indígenas reconhecidos, contra quatro ou cinco em 1978. “Ninguém mais pode dizer que é uma causa perdida. O Brasil fica mais bonito com os povos”, afirmou, defendendo o que chamou de necessidade de uma “Constituição Aldeã”.


Fonte: cimi.org.br

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de cimi.org.br e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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