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Moradores de Salinas (MG) protestam contra captação de água por mineradora de lítio

Moradores de Salinas (MG) protestaram contra a outorga que autoriza a mineradora PLS Brasil a captar 150 mil litros de água por hora da barragem que abastece a cidade, enquanto o caso é contestado também na Justiça.

Nesta reportagem

Movimento popular exige revisão de outorga que autoriza empresa australiana a retirar 150 mil litros por hora da barragem que abastece a cidade

Moradores de Salinas, no Norte de Minas Gerais, foram às ruas no domingo (7) contra a autorização concedida pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) à mineradora PLS Brasil Mineração para captar água da Barragem de Salinas. A outorga, emitida em maio de 2026, permite a retirada de cerca de 150 mil litros por hora para abastecer a planta onde será beneficiado o minério de lítio do Projeto Colina.

“Nós vamos defender a água da nossa barragem”, afirmou Felipe Oliveira, articulador do Movimento Popular de Preservação das Águas da Barragem de Salinas, criado após a divulgação da outorga. O reservatório abastece a população de Salinas e Rubelita e cerca de 300 pequenos produtores rurais da região. Durante o ato, Oliveira declarou à mineradora: “Salinas não é de vocês. Nós vamos defender até o último minuto.” A moradora Marta Leandra Pereira reforçou que a água “é de uso de Salinas e região” e que a população está unida no protesto.

A PLS Brasil Mineração é o braço brasileiro do grupo australiano PLS Group, que assumiu o projeto após a compra da Latin Resources pela Pilbara Minerals em 2024. Nos processos de licenciamento, a empresa ainda aparece com o nome anterior, Belo Lithium Mineração. O movimento pede a revisão e suspensão da outorga até que estudos técnicos sejam apresentados publicamente, com o objetivo final de revogar o direito de uso da água concedido à mineradora. Segundo os organizadores, as empresas do setor minerário foram convidadas para um debate público em agosto, mas não compareceram.

A mobilização avança também na Justiça. Uma Ação Popular Ambiental, movida pelo advogado Anderson Brito, pede a suspensão da captação até que uma perícia independente meça a real capacidade do reservatório. A ação aponta uma contradição de datas entre a outorga, publicada em 28 de maio de 2026, e um acordo firmado quase um mês depois entre Ministério Público, Estado, Copasa e PLS, que tratava a autorização como se ainda não tivesse sido concedida. A peça não afirma fraude, mas questiona a sequência dos documentos.

O licenciamento ambiental do Projeto Colina, aprovado pelo Copam em 2025, reconhece impactos como ultrapassagem do limite de material particulado na comunidade Pavão e riscos a espécies de fauna ameaçada. Para a comunidade quilombola Olaria/Bagre, certificada pela Fundação Cultural Palmares, o parecer identifica nove impactos, incluindo perda de território e alteração das áreas de coleta de pequi. A reportagem original solicitou ao Incra informações sobre a consulta livre, prévia e informada com a comunidade quilombola e aguarda resposta da PLS Brasil Mineração.


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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