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Pecuaristas articulam invasão à TI Apyterewa se Flávio Bolsonaro vencer eleição

Áudios obtidos pela Folha de S.Paulo mostram pecuaristas do Pará planejando invadir a Terra Indígena Apyterewa a partir do segundo turno das eleições, caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente.

Nesta reportagem

Áudios revelados pela Folha mostram plano para ocupar território Parakanã a partir de 25 de outubro, data do segundo turno

Pecuaristas e fazendeiros do sudeste do Pará articulam a invasão da Terra Indígena Apyterewa caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) vença o segundo turno das eleições de 2026 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A articulação foi revelada por reportagem da Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (12), com base em oito áudios enviados por aplicativo de mensagens e relatos de moradores dos arredores do território.

Segundo o jornal, as gravações indicam que invasores planejam ingressar na área demarcada a partir de 25 de outubro, data da votação, para reabrir fazendas e pastagens ilegais. As mensagens expressam a expectativa de que a vitória de Flávio Bolsonaro, somada à posse do governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), resulte na desregulamentação da área e na retirada da posse permanente dos Parakanã.

Homologada em 2007, a TI Apyterewa fica em São Félix do Xingu (PA), tem 773 mil hectares e abriga mais de mil pessoas do povo Parakanã, de contato recente, o que os torna altamente vulneráveis a invasões. Lideranças locais relatam recados que recomendam aos indígenas abandonar o território ou evitar áreas onde pecuaristas já preparam o solo, além de movimentação atípica de veículos e compra de lonas e ferramentas agrícolas por invasores.

O teor das mensagens chegou aos órgãos de inteligência do governo federal e entrou na pauta da reunião do Comitê de Desintrusão na última quinta-feira (8). O Ministério dos Povos Indígenas informou à Folha de S.Paulo que acompanha o aumento da pressão pela ocupação ilegal e deliberou pelo reforço policial na área, afirmando que a investigação sobre os áudios cabe às autoridades policiais. O Ibama confirmou que monitora o cenário e alerta para mobilizações semelhantes em outras partes da Amazônia. Autoridades também investigam se a explosão recente de queimadas no território foi provocada deliberadamente por grileiros: dados do Inpe compilados pelo Programa Xingu mostram que os focos de calor saltaram de 41 em julho para 1.007 em setembro.

A Apyterewa foi uma das terras indígenas mais desmatadas do país durante o governo de Jair Bolsonaro, quando invasores chegaram a erguer uma vila clandestina dentro da área demarcada. Em 2020, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, determinou na ADPF 709 a expulsão dos invasores, ordem não cumprida na gestão anterior. A operação de desintrusão, iniciada no fim de 2023 sob o governo Lula, reduziu o desmatamento mas enfrentou forte resistência armada de pecuaristas, incluindo emboscadas que feriram um servidor da Funai em 2023 e mataram um colaborador terceirizado do Ibama em 2025. O Brasil de Fato procurou a campanha de Flávio Bolsonaro e o Governo do Pará, que não se manifestaram até a publicação.


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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