Marcelo Kariri Menezes e Idjahure Terena ingressam no Instituto Rio Branco em turma com cotas inéditas para indígenas e quilombolas
O Palácio Itamaraty, em Brasília, deu posse nesta quarta-feira (4) a dois indígenas como terceiros-secretários da carreira diplomática brasileira: Marcelo Kariri Menezes, do povo Kariri, e Idjahure Terena, do povo Terena. É a primeira vez na história da diplomacia do país que indígenas ingressam no Curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco.
Os dois integram a turma 2026-2028, composta por 60 aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. Do total, 27 pertencem a grupos historicamente sub-representados no serviço público: 17 pessoas negras, sete pessoas com deficiência, duas indígenas e uma quilombola. Foi a primeira vez que o concurso reservou vagas para indígenas e quilombolas, além de ampliar o percentual destinado a pessoas negras, conforme a Lei nº 15.142, de junho de 2025.
Marcelo, natural de Campina Grande (PB), é descendente do povo Kariri, originário do sertão nordestino, e relata ter crescido em ambiente onde indígenas eram desencorajados a estudar. Idjahure, nascido no Rio de Janeiro e com trajetória na Antropologia, aproximou-se do povo Terena pela família da avó e destaca a resistência de seu povo às teorias de assimilação cultural que previam o desaparecimento de sua identidade étnica.
Durante a cerimônia, o escritor e líder indígena Ailton Krenak, primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras, classificou o avanço como histórico, mas alertou que a conquista individual não significa mudança na realidade das comunidades. Krenak citou os ataques contra os Kaiowá e Guarani em Mato Grosso do Sul e criticou a omissão do sistema de Justiça e de governadores diante de proprietários que seguem tomando terras indígenas demarcadas.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, lembrou o longo período de tutela em que povos originários não podiam falar por si mesmos perante o Estado, direito reconhecido plenamente apenas com a Constituição de 1988. Já a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros de Oliveira, defendeu as ações afirmativas como resposta a barreiras históricas enfrentadas por pessoas negras, indígenas e quilombolas no acesso ao serviço público.
Fonte: Brasil de Fato
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

