Delegação com os Galibi-Marworno e Karipuna visita o povo kichwa equatoriano que venceu uma petroleira e levou o caso aos direitos da natureza
Os líderes indígenas brasileiros Guisel Marworno e Wagner Karipuna viajaram de canoa pelo rio Bobonaza, no Equador, para se encontrar com o povo kichwa de Sarayaku, que no início dos anos 2000 conseguiu expulsar uma petroleira de seu território. A visita integrou uma delegação de cerca de 24 pessoas, entre advogadas e lideranças indígenas de diferentes pontos da Amazônia, organizada pela Aliança Global pelos Direitos da Natureza.
A viagem responde a uma ameaça concreta: no ano passado a estatal brasileira Petrobras começou a prospectar petróleo em alto-mar perto dos territórios costeiros dos Galibi-Marworno e dos Karipuna, no Amapá. Segundo relatado pela reportagem, a perspectiva de um boom petroleiro já transforma a cidade de Oiapoque, com chegada de novos moradores que pressiona as terras indígenas, somando-se à ameaça da poluição e das mudanças climáticas. Em 2025, essas duas comunidades e também os Palikur-Arukwayene e os Galibi Kali’na apresentaram uma ação no Brasil contra os planos de perfuração do governo.
Em toda a Amazônia, 31 milhões de hectares de territórios indígenas e de comunidades locais se sobrepõem a áreas delimitadas por governos para exploração de petróleo e gás, área equivalente ao tamanho da Polônia. Sarayaku enfrentou situação semelhante: em 1996 o governo equatoriano autorizou uma petroleira argentina a perfurar seu território, e em 2002 a empresa entrou escoltada pelo Exército. A comunidade resistiu e, segundo documentos judiciais citados na reportagem, quatro líderes teriam sido torturados durante a repressão à resistência pacífica. A petroleira se retirou em 2003, mas deixou enterradas toneladas de explosivos no território, que a comunidade segue reivindicando a retirada.
O caso de Sarayaku chegou à Corte Interamericana de Direitos Humanos, que em 2012 determinou que o Equador violou os direitos da comunidade ao permitir a exploração sem consulta prévia, estabelecendo precedente sobre o direito dos povos indígenas à consulta livre, prévia e informada. Em agosto, Sarayaku apresentou à Corte uma petição para que as reparações do governo incluam o reconhecimento da floresta como sujeito de direitos, dentro de processo ainda aberto. A liderança Patricia Gualinga, uma das vozes mais conhecidas da comunidade, afirmou aos visitantes que
Fonte: amazonialatitude.com
Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de amazonialatitude.com e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

