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Série mostra luta por terra partilhada entre acampamentos e retomadas indígenas

Série documental do Bem Viver mostra a luta por reforma agrária no acampamento Che Guevara, em Alagoas, e a retomada territorial do povo Tabajara, na Paraíba, revelando que a demanda por terra segue urgente no Brasil.

Nesta reportagem

Reportagem do Bem Viver percorre acampamento em Alagoas e retomada Tabajara na Paraíba para mostrar que reforma agrária e demarcação seguem urgentes

A série “Brasil Decide”, do programa Bem Viver na TV, uma realização da Telesur Brasil, percorreu territórios de luta pela terra no Nordeste para mostrar como comunidades camponesas e povos indígenas resistem e reivindicam direitos no atual período eleitoral. A reportagem visitou o acampamento Che Guevara, na Serra da Barriga, em União dos Palmares (AL), e a Aldeia Vitória, do povo Tabajara, na Paraíba.

Segundo o Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), o governo Jair Bolsonaro não demarcou nenhuma terra indígena e não destinou áreas para reforma agrária durante seu mandato. Já entre 2023 e 2026, no governo Lula, 59 mil famílias foram assentadas, mas ainda restam 145 mil famílias acampadas no país, de acordo com dados apresentados na reportagem. Débora Nunes, da direção nacional do MST, afirma que a luta pela “terra partilhada” segue necessária: “A reforma agrária ainda é uma demanda, ainda é uma necessidade no nosso estado, no nosso país”, diz, destacando o simbolismo de reafirmar essa luta ao pé da Serra da Barriga, onde ficava o Quilombo dos Palmares.

No acampamento Che Guevara, ocupado desde 2012 por cerca de 5 mil trabalhadores em terras onde antes funcionavam usinas de cana-de-açúcar falidas, o agricultor Luiz da Silva relata a transformação do solo degradado por commodities em produção de alimentos. Após 14 anos de resistência, famílias do acampamento estão sendo realocadas para assentamentos definitivos, o que a agricultora Maria da Silva descreve como conquista resultado de trabalho coletivo e mobilização constante.

Na Paraíba, o povo Tabajara segue há duas décadas em processo de retomada do território de onde foi expulso por usineiros. Dizimados por três séculos de invasões, os Tabajara chegaram a ser considerados extintos por mais de 150 anos, até que a mobilização do povo e o reconhecimento oficial da Funai, em 2009, restabeleceram sua existência formal. O cacique Ednaldo Tabajara relaciona a retomada territorial à sobrevivência do povo e à urgência climática: “Se estamos lutando pela questão climática, significa que o caminho é demarcar as terras indígenas”, afirma, defendendo a ampliação de terras indígenas e quilombolas como resposta do Brasil à crise ambiental.

A ceramista Tabajara Maria José da Conceição, de 92 anos, relembra as expulsões sofridas por sua família quando criança, quando latifundiários tomavam as terras onde moravam. Hoje, ela celebra os 20 anos de retomada, que trouxe emprego e renda à comunidade, e reforça, ao lado das demais falas registradas pela série, que a luta pela terra permanece um capítulo aberto e urgente da história brasileira.


Fonte: Brasil de Fato

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Brasil de Fato e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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