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Colisões de barcaças no rio Madeira matam e ampliam medo entre ribeirinhos

Governo mantém plano de dragagem e privatização da hidrovia para escoar grãos, enquanto comunidades denunciam falta de consulta e acidentes fatais

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Governo mantém plano de dragagem e privatização da hidrovia para escoar grãos, enquanto comunidades denunciam falta de consulta e acidentes fatais

Uma mãe e seus três filhos morreram em janeiro de 2025 depois que uma barcaça carregada de soja colidiu com a casa flutuante onde viviam, na comunidade ribeirinha de Urumatuba, em Manicoré, no Amazonas. Quatro meses depois, outra embarcação de carga atingiu balsas de garimpo na comunidade vizinha de Nova Catarina — uma delas pertencia ao marido da mulher morta em janeiro, segundo o portal Fato Amazônico. Moradores ouvidos pela Mongabay nas margens do rio Madeira, em Rondônia e no Amazonas, afirmam conhecer alguém que perdeu bens ou a vida em acidentes semelhantes.

A hidrovia do Madeira, que corta 1.060 quilômetros em 11 municípios do Amazonas e de Rondônia, é rota estratégica para o Corredor Logístico Norte, usada para escoar soja, milho e açúcar do Mato Grosso. O governo federal anunciou em maio um plano de R$ 123,6 milhões para dragagem no rio durante a estação seca, e a licitação para privatizar a administração da hidrovia é esperada para o primeiro semestre de 2027. Comunidades visitadas pela Mongabay afirmam que não foram consultadas sobre a expansão do tráfego e da dragagem.

Moradoras como Maria Delci Barros de Morais, da comunidade Paraíso Grande, e Maria Madalena Laborna, de Calama, relatam medo constante durante a estação de cheia, quando as margens ficam inundadas e as barcaças — que podem transportar até 18 mil toneladas e reboca dezesseis balsas de uma só vez — têm dificuldade de desviar de embarcações pequenas. Irmã Ivonete Aparecida Paes, da Diocese de Humaitá, cita outro acidente, em julho, que destruiu três balsas de garimpo na Vila dos Bahianos.

Um relatório da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), divulgado em junho, aponta fragilidades no licenciamento ambiental do projeto, ausência de consulta prévia e falta de estudos atualizados sobre os impactos da dragagem na dinâmica hidrossedimentológica do rio.


Fonte: Notícias ambientais

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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