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Estrada ilegal de 42 km some sob a floresta no corredor do Xingu

Estrada ilegal de 42 km aberta para garimpo dentro de área protegida no Xingu foi bloqueada por operação federal em 2023 e a floresta voltou a crescer sobre o trajeto, mas ataques a terras indígenas e reorganização do garimpo ilegal seguem ameaçando o corredor.

Nesta reportagem

Via aberta para garimpo dentro de área protegida foi bloqueada em 2023 e a vegetação voltou a crescer sobre o trajeto, mas ameaças seguem no território

Imagens de satélite mostram que uma estrada ilegal de 42,8 quilômetros, que em 2022 ameaçou romper o Corredor Xingu de Diversidade Socioambiental, desapareceu sob a floresta que voltou a crescer sobre seu trajeto. A via havia sido aberta a partir da Estrada Canopus para dar suporte ao Garimpo da Jane, reativado dentro da Estação Ecológica da Terra do Meio, e chegou a avançar sobre a Floresta Estadual do Iriri, no Pará, segundo o Instituto Socioambiental (ISA), que monitora a região pelo sistema SiradX.

O ISA alertou em 2022 que restavam apenas 7 quilômetros de floresta intacta separando duas frentes de desmatamento vindas de São Félix do Xingu e Novo Progresso, o que colocava em risco a conectividade de um mosaico de terras indígenas e unidades de conservação que soma cerca de 26 milhões de hectares. Segundo Luísa Molina, antropóloga do Programa Xingu do ISA, a fiscalização federal estava paralisada durante o governo de Jair Bolsonaro, o que impedia qualquer resposta institucional à devastação.

A mudança de governo em 2023 abriu espaço para a pressão da sociedade civil. Molina relata que levou um mapa da estrada ao Ministério do Meio Ambiente semanas após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva. Três meses depois, o ICMBio, com apoio do Ibama, deflagrou uma operação que instalou uma base de controle permanente às margens do rio Iriri, bloqueando o acesso à via. Segundo o Ibama, a operação segue ativa e nenhuma atividade foi detectada no Garimpo da Jane desde então. O órgão afirma que a abertura de novas estradas ilegais na bacia do Xingu caiu de forma acentuada entre 2022 e 2023 e permaneceu estável desde então.

Apesar do avanço pontual, organizações que monitoram a região apontam fragilidades persistentes. O ISA informou que a Terra Indígena Apyterewa sofreu ataques repetidos a partir de 2024, incluindo o assassinato de um servidor da Funai, enquanto o garimpo ilegal se reorganiza dentro de territórios já desintrusados por ordem do Supremo Tribunal Federal. A Rede Xingu+ registrou novas frentes de garimpo abertas desde 2025 dentro de áreas protegidas, com contaminação por mercúrio atingindo igarapés que alimentam os rios Iriri e Xingu. André Villas-Bôas, secretário-executivo da Rede Xingu+, afirma que os garimpeiros hoje operam com tecnologia quase empresarial, em escala impensável dez anos atrás.

O futuro dessas conquistas está associado à eleição presidencial de outubro, que projeta disputa entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Molina afirma que um eventual governo contrário à proteção territorial poderia ser pior que o de Jair Bolsonaro, já que o Supremo não teria as mesmas condições de impor medidas de proteção. Villas-Bôas descreve a ameaça como também ideológica, associada a um projeto que trataria povos indígenas, quilombolas e extrativistas como alvos de assimilação em nome de um modelo de desenvolvimento que desconsidera seus modos de vida.


Fonte: Notícias ambientais

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Notícias ambientais e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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