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Desmatamento na Amazônia encarece conta de luz e comida em todo o Brasil, aponta Greenpeace

Levantamento do Greenpeace Brasil associa o desmatamento amazônico ao encarecimento da energia elétrica e dos alimentos, à redução das chuvas em todo o país e a maiores prejuízos com desastres climáticos, na campanha #VotaQueVale voltada às eleições de 2026.

Nesta reportagem

Levantamento mostra que perda de floresta reduz chuvas, afeta hidrelétricas e pode custar até R$ 5,7 bilhões por ano ao consumidor

O Greenpeace Brasil divulgou um levantamento que relaciona o desmatamento da Amazônia ao aumento da conta de luz, ao encarecimento de alimentos e à intensificação de eventos climáticos extremos em todo o país. Segundo a organização, estudos mostram que 32% dos moradores da região amazônica, e 42% das comunidades tradicionais, já sentem impactos diretos dessas mudanças no cotidiano, com destaque para o aumento da conta de energia, o calor sufocante, a fumaça dos incêndios e a alta no preço dos alimentos.

De acordo com o Greenpeace, a floresta funciona como reguladora do clima e do ciclo de chuvas no Brasil, alimentando os chamados “rios voadores” que levam umidade para o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul, inclusive para os rios que abastecem hidrelétricas e para lavouras em todo o país. Um estudo publicado na Nature Communications em 2025, citado pela organização, calculou que o desmatamento respondeu por cerca de 74% da redução das chuvas na estação seca da Amazônia Legal entre 1985 e 2020, além de 16,5% do aumento da temperatura máxima no período.

O Greenpeace destaca que a derrubada de árvores no Brasil responde por aproximadamente 42% das emissões de gases de efeito estufa do país, uma proporção bem diferente da maioria das nações, onde o principal vilão é a queima de combustíveis fósseis. A organização cita ainda um estudo da Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade que estima que, se o desmatamento amazônico tivesse sido evitado desde 1985, o consumidor brasileiro teria economizado até R$ 5,7 bilhões por ano na conta de energia, já que a redução de chuvas afeta os reservatórios das hidrelétricas e obriga o uso de termelétricas mais caras e poluentes.

Segundo dados do IPAM mencionados pelo Greenpeace, 1,8 milhão de pessoas são afetadas anualmente por desastres na Amazônia, com prejuízos de R$ 3,44 bilhões por ano, e povos indígenas e comunidades tradicionais representam 75% da população atingida. O levantamento aponta ainda que, entre 2000 e 2022, a frequência de queimadas na região aumentou dez vezes, enquanto secas e ondas de calor triplicaram. A organização observa que as 50 cidades que mais desmatam têm rendimento mensal 27% inferior à média nacional, e cita o Índice de Progresso Social Brasil 2026, segundo o qual São Félix do Xingu (PA), líder em desmatamento nos últimos três anos, ocupa a 5.558ª posição entre 5.570 municípios brasileiros.

Com a campanha #VotaQueVale, o Greenpeace Brasil busca associar essas informações ao debate eleitoral de 2026, argumentando que decisões de deputados, senadores e governos sobre monitoramento, fiscalização, orçamento e políticas públicas de combate ao desmatamento têm efeito direto sobre o cotidiano da população em todo o país.


Fonte: Greenpeace Brasil

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de Greenpeace Brasil e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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