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Perda de vegetação secundária no Cerrado cresce 20% desde 2017, aponta MapBiomas

Levantamento do MapBiomas mostra que o Cerrado perdeu 20% mais vegetação secundária entre 2017 e 2025 do que na década anterior, com o MATOPIBA concentrando as maiores perdas líquidas.

Nesta reportagem

Levantamento divulgado no Dia do Cerrado mostra que bioma perdeu 7,9 milhões de hectares de vegetação nativa desde 1987, área equivalente a quase duas Holandas

A perda de vegetação secundária no Cerrado se intensificou nos últimos anos. Dados do MapBiomas divulgados na sexta-feira (11/9), Dia do Cerrado, mostram que entre 2017 e 2025 o bioma teve perda de vegetação secundária 20% maior do que no período entre 2007 e 2016. Vegetação secundária é a área desmatada que se encontra em processo de recuperação da cobertura nativa.

Segundo o levantamento, no ano passado essa vegetação ocupava cerca de 7,5 milhões de hectares, apenas 8% da cobertura remanescente do bioma. Desde 1987, primeiro ano da série histórica do MapBiomas sobre o Cerrado, a perda de vegetação nativa chega a 7,9 milhões de hectares, área equivalente a quase duas Holandas. Dos 1.425 municípios cobertos pelo bioma, 67 perderam pelo menos mil hectares a mais do que ganharam entre 2017 e 2025, a maioria no MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Barreiras, Jaborandi e Baixa Grande do Ribeiro, todos na Bahia, lideram a perda líquida.

O IPAM aponta que a falta de mecanismos específicos de proteção contribui para a pressão crescente sobre a vegetação secundária no Cerrado: 73% da área desmatada nessas condições é derrubada novamente até dez anos após a primeira derrubada, o que compromete sua capacidade de recuperação e reduz a absorção de carbono. Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e do MapBiomas, explica que essa vegetação, embora não equivalente à primária, acumula biomassa e carbono e recupera parte das funções ecológicas do bioma à medida que se desenvolve.

A professora Mercedes Bustamante, da Universidade de Brasília, afirma em entrevista ao Brasil de Fato que o Cerrado já sofre alterações no regime de chuvas e intensificação de incêndios, problemas que devem se agravar com o chamado Super El Niño. Segundo ela, o bioma é o coração hídrico do Brasil e fator de estabilidade climática, e sua destruição ameaça o bem-estar e o futuro da população brasileira. Um estudo da The Nature Conservancy sobre a Bacia do Araguaia, citado pela Exame, identifica aumento de temperaturas, redução de chuvas, estação seca mais longa e queda na vazão de rios importantes da região. Na Bacia do rio Formoso (TO), disputas entre produtores rurais por uso da água já resultaram na interrupção do fluxo do curso d’água e na judicialização do conflito, segundo o Jornal de Brasília.

Diante desse cenário, organizações da sociedade civil lançaram a campanha #VotePeloCerrado para pressionar candidatos às eleições de outubro a assumir compromissos com a proteção do bioma e de seus povos. A mobilização defende o reconhecimento do Cerrado como patrimônio nacional, a proteção das águas, a garantia de terra e território aos povos tradicionais, o combate à grilagem e à violência no campo, e o fortalecimento da agroecologia e da agricultura familiar.


Fonte: ClimaInfo

Nota do ASSOBIO, seção de notícias rápidas da Revista Caipora, redigida automaticamente a partir da matéria de ClimaInfo e sob curadoria da redação. As reportagens autorais da Caipora são escritas por comunicadores indígenas.

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